D. Sebastião, mármores embutidos de João Cutileiro, 1972, Lagos, Portugal.
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Descrição
D. Sebastião.
(1554-1578)
Mármores embutidos.
João Cutileiro (1937-2021), 1972.
Revista Colóquio-Artes, nº 10, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, outubro de 1973
Biblioteca de Vítor Serrão, Santarém, janeiro de 2012, Portugal
Lagos, Portugal.
VÉNIA A JOÃO CUTILEIRO. Em Outubro de 1973, ainda em tempo de ditadura, a revista COLÓQUIO-ARTES (nº 14) dava destaque de capa à recém-inaugurada estátua de D. Sebastião em Lagos, uma encomenda do Município local ao escultor João Cutileiro (Lisboa, 26 jul. 1937; idem, 25 jan. 2021). O texto de fundo, assinado pelo historiador, escritor e crítico decarte José-Augusto França (Tomar, 16 nov. 1922-Lisboa, 18 set. 2021), director da revista, destacava a importância iconológica e artística da peça, «notável obra de estatuária contemporânea... (que vinha) quebrar uma triste tradição do 'academismo modernizado' português».
Amada e odiada, a obra gerou uma polémica sem precedentes e criou ao ousado autarca inúmeros problemas por parte do regime... O Prof. França sintetizava assim a sua apreciação crítica: «Lagos pode estar orgulhoso de ter uma das melhores estátuas de Portugal -- e a mais moderna de todas» !
Presto a minha homenagem a Cutileiro, homem que tive o privilégio de conhecer em Évora, lembrando um artigo de referência à mais polémica e discutida das suas obras, saído ainda num tempo de cinzas em que dizerem-se e fazerem-se coisas assim revelava uma inaudita coragem. Estou hoje em Lagos. Como ontem, a estátua continua viva, firme, dialogante. Excelente, como peça de arte pública sem tempo (Vitór Serrão, 23 jan. 2026)
D. Sebastião (1554-1578), sétimo rei da dinastia de Avis, neto do rei João III (1502-1557) de quem herdou o trono com apenas três anos. A regência foi assegurada pela sua avó Catarina da Áustria (1507-1578) e pelo cardeal D. Henrique de Évora (1512-1580). Aos 14 anos assumiu a governação manifestando grande fervor religioso e militar. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza, para além dos dois rei de Marrocos, o que levou esta batalha a ser conhecida pela Batalha dos Três Reis, iniciando a crise dinástica de 1580 que levou à dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo, mas também à unificação de Marrocos.