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Arquipelago de Origem:
Estreito da Calheta
Data da Peça:
1760-00-00
Data de Publicação:
27/11/2025
Autor:
Manuel António de Agrela
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-27
Proprietário da Peça:
Paróquia da Graça do Estreito de Câmara de Lobos
Proprietário da Imagem:
Nelson Veríssimo
Autor da Imagem:
Nelson Veríssimo
Sacrário da igreja matriz de Nossa Senhora da Graça, Manuel António de Agrela, 1760, matriz do Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Sacrário da capela-mor da igreja de Nossa Senhora da Graça.
    Talha da oficina do mestre entalhador Manuel António de Agrela, a expensas da confraria da Graça, 1760.
    Reposto na construção de António Vila Vicêncio (c. 1720-1796) , 1791 e seguintes, de colaboração com o mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega (1746-1833).
    Fotografia de 2020.
    Matriz do Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

    Desconhece-se a data da criação da paróquia do Estreito de Câmara de Lobos, mas já existia em 1520, pois, neste ano, a Coroa pagou o vencimento do vigário. Teria sido fundada entre 1518 e 1520. É seu orago Nossa Senhora da Graça, invocação de uma capela existente nesta localidade.
    Em 30 de julho de 1744, na sequência do requerimento do vigário e paroquianos do Estreito de Câmara de Lobos, o Conselho da Fazenda autorizou que se fizesse risco e orçamento da nova igreja, atendendo a que a existente se encontrava arruinada e era de reduzidas dimensões, face ao aumento do número de moradores na freguesia. O mestre das Obras Reais, João Martins de Abreu, e o mestre de pedreiro, Pedro Fernandes Pimenta, apresentaram o respetivo orçamento em 2 de maio de 1747. A obra foi arrematada, em 25 de junho de 1747, por Manuel Rodrigues da Costa, mestre pedreiro, por 7 contos e 579 mil réis. Entretanto, o terramoto, de 31 de março de 1748, provocou sérios danos na igreja e na casa do vigário.
    As obras iniciaram-se em 1749. O primeiro templo foi parcialmente demolido. A edificação da nova igreja, executada sob a direção do mestre das Obras Reais, João Martins de Abreu, e que corresponde à atual, ficou praticamente concluída em 1756, ano da bênção da capela-mor.
    Em 4 de novembro de 1771, de acordo com a vistoria então feita, ainda não se tinha construído o campanário, por impedimento do vigário que «com o fim de, com o legítimo valor do campanário e com as esmolas que pedir, alcançar mandar fazer uma torre junto à mesma igreja para maior segurança dela e também para o resguardo dos sinos, que em campanário estão expostos a muitos inconvenientes, como se tem experimentado em outras muitas paróquias.» Na verdade, nos anos subsequentes, sucederam-se diversas intervenções, em especial para ornato artístico. Entre 1803 e 1814, verificou-se nova intervenção, sendo a Igreja solenemente sagrada em 1814. Na capela-mor, sobressai o retábulo rococó, com um belo sacrário em talha dourada, executado pela oficina de Estêvão Teixeira na segunda metade do século XVIII.
    Em 1937, a torre da igreja foi ampliada, para a instalação de um relógio, inaugurado em 26 de setembro desse ano. Atualmente, a freguesia compreende três paróquias, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora da Encarnação e Garachico, embora as últimas duas abranjam também território de Câmara de Lobos. A freguesia mantém algumas capelas fundadas por iniciativa particular: Capela das Almas (1766-1767), anexa ao Solar da Quinta da Vargem, Capela de Santa Ana (c. 1768; 1963) e a Capela de Santo António (1780).
    Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Estreito de Câmara de Lobos”, Funchal Notícias.net, 23 de novembro de 2025.
    Cronologia:
    1509: provável instituição da freguesia; 1520: primeira informação de pagamento a um vigário; 1539: informação de ser pároco vigário o padre Sebastião Vaz; 1572, 20 jan.; acrescentamento da côngrua ao padre vigário Gonçalo de Aguiar de mais 9$300 réis à côngrua que já possuía; 1582, 18 jan. e 1591, 15 nov. - remodelação do vencimento do pároco, que passa a ser de 16$000 réis anuais, uma pipa e meia de vinho e um moio e meio de trigo; 1676, 28 dez.: supressão de dois lugares de beneficiados, aplicando-se a verba para um cura da freguesia; 1688, 9 maio: determinação do ordenado do cura coadjutor em 12$000 réis anuais em dinheiro, uma pipa de vinho e um moio de trigo; 1692, 23 set.: mandado do Conselho da Fazenda para as obras da nova igreja, arrematadas por Francisco Rodrigues, por 811$000 réis; 1748, 5 mar.; novo mandado, então para ampliação do terreno para nova igreja, de 194$000 réis para o pagamento de um alqueire e meia quarta de terreno para a nova obra, e mais 551$662 réis para nova casa do vigário, devendo-se desmanchar a anterior; 1760: execução do sacrário para a capela do Santíssimo, pelo mestre entalhador Manuel António de Agrela, a expensas da confraria da Graça; 1764, 15 fev.: arrematação da obra de talha do altar-mor pelo mestre açoriano Julião Francisco Ferreira (act. 1730-1771), no valor de 2:998$000 réis; 1753, 3 fev.: lançamento e bênção da primeira pedra para a reconstrução da igreja, sob projeto de Domingos Rodrigues Martins (c. 1710-1781); 1756, 18 jan.: bênção da nova capela-mor, sendo então para ali transferido o Santíssimo; 1790, maio: novo projeto de reconstrução do capitão engenheiro Vila Vicêncio (c. 1720-1796) arrematado pelo entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega (1746-1833), sendo a obra do novo altar-mor e retábulo arrematada pelo entalhador Manuel António de Agrela, tendo merecido o despacho da Junta da Fazenda de "Sem efeito"; 1791: nova arrematação da reconstrução global da igreja pelo mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega, mas com a colaboração do próprio mestre das obras reais António Vila Vicêncio, que ficou como responsável pelas obras de pedreiro e carpinteiro; 1814: sagração do novo templo pelo bispo de Meliapor, administrador da diocese D. Joaquim de Meneses e Ataíde (Porto, 20 set. 1765-Gibraltar, 5 nov. 1828); 1829, 6 nov.; desacato em que foi roubado o Santíssimo ocasionando processo judicial de que se conhece impresso: Sentença da Relação de Lisboa contra Jacinto Fernandes e mais sete réus, culpados do roubo e desacato na igreja da Graça do Funchal. Morreram seis enforcados e o último foi degolado, 6 de Março de 1830, Lisboa, na tipografia de J. B. Morando (ficha 1999).