Painéis de azulejos revivalistas, cartão de Jorge Barradas, 1960 (c.), executados na Fábrica Viúva de Lamego, 1962, Tribunal da Comarca do Funchal, ilha da Madeira
Categorias
Descrição
Painéis de azulejos revivalistas
Cartão de Jorge Nicholson Moore Barradas (1894-1971), 1960 (c.), executados na Fábrica Viúva de Lamego sob orientação de João Alves de Sá (1878-1972), 1962 (c.).
Tribunal da Comarca do Funchal, projeto geral do Arq. Januário Godinho (1910-1990), 1946 e seguintes, inaugurado em 17 de julho de 1962.
Fotografia de Raul Martins Perestrello (1915-1998) (atr.), Photo Perestrellos, provavelmente de 17 de julho de 1962.
Museu de Fotografia da Madeira-Atelier Vicente's, PER 4387, em depósito na DRABM
Tribunal do Funchal, Rua Marquês do Funchal, Funchal, ilha da Madeira.
Jorge Barradas, de seu nome completo, Jorge Nicholson Moore Barradas (1894-1971), foi uma figura importante do movimento modernista português. A sua atividade extravasa em muito o campo da pintura sendo igualmente um consagrado ilustrador, ceramista, escultor e decorador. O seu mérito foi, pela primeira vez, reconhecido em 1937, com a atribuição da Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Paris, ao que se seguiu, em 1939, o Prémio Columbano do Secretariado da Propaganda Nacional e, em 1947, o Prémio Sebastião de Almeida. Em Lisboa, na Alameda D. Afonso Henriques encontram-se ainda baixos relevos da sua autoria e a sua obra pode ser admirada em quase todos os Museus Nacionais e regionais do país.
João Alves de Sá (1878-1972) era licenciado em Direito e visconde de Alves de Sá, tendo nas últimas décadas de vida se radicado no Algueirão. Aguarelista contemporâneo, foi discípulo de Manuel de Macedo (Manuel Maria de Macedo Pereira Coutinho Vasques da Cunha Portugal e Menezes, 1939-1915), dedicando-se também à cerâmica e, muito especialmente, à azulejaria, tendo dirigido essa secção na Fábrica Viúva de Lamego. Foi galardoado com altas distinções como a medalha de honra em aguarela da Sociedade Nacional de Belas Artes e o 1º prémio Roque Gameiro (1947), do Secretariado Nacional de Informação, tendo participado em inúmeras exposições e dirigido vários projetos como o do pavilhão de Portugal na feira internacional de Sevilha, em 1929, várias estações de caminho-de-ferro, nas décadas de 30 e 40 e a ampliação da Câmara Municipal de Cascais, para cuja fachada elaborou os novos painéis de azulejos, em 1969, tendo sido agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem Militar de Santiago da Espada, a 6 de abril de 1959. Trabalhou, entretanto, também para a Madeira, tendo a Fábrica Viúva de Lamego sob a sua direção artística executado a empreitada de azulejos dos projetos do arquiteto Januário Godinho (1910-1990) para a remodelação da antiga Junta Geral e do Tribunal do Funchal, azulejos executados em 1962 e aplicados em 1963.
O projeto do tribunal do Funchal foi entregue ao arquiteto Januário Godinho de Almeida (1910-1990) pela comissão administrativa da Câmara Municipal do Funchal da responsabilidade do Dr. Fernão de Ornelas Gonçalves (1908-1978), de 12 jan. 1935 a 22 out. 1946, tendo o conjunto de desenhos, ainda ao gosto Português Suave do Estado Novo e desse último ano de 1946, sido localizado quando da montagem do Museu da Cidade do Funchal, em agosto de 1981. As controversas expropriações para permitir a abertura da rua do Marquês do Funchal implicaram a expropriação e demolição do Palácio do Colégio, então propriedade dos Viscondes Torre Bela, em 1943, mas esperaram depois cerca de 10 anos. A construção deste tribunal só avança após as demolições na travessa de João de Oliveira, ocorridas em 1956, sendo o edifício inaugurado a 17 de julho de 1962 pelo presidente da República almirante Américo Tomás (1894-1987). A obra geral modernista apresenta para a Rua Marquês do Funchal um monumental fontanário neo barroco com embrechados de cantaria vermelha de Cabo Girão, encimado pela escultura da justiça da autoria do escultor António Duarte Silva Santos (1912-1998), um dos expoentes máximos da segunda geração de artistas modernistas portugueses. Interiormente, a sala de audiências foi equipada com uma tapeçaria de Jaime Martins Barata (1899-1970), Partida da frota de D. Jaime de Bragança para a reconquista de Azamor em 1513 (algumas fichas identificam o ano desta armada como de 1532, mas o que é lapso) e as paredes dos corredores foram revestidas de painéis de azulejos também de inspiração barroca, da autoria Jorge Nicholson Moore Barradas (1894-1971), 1960 (c.) e depois executados na Fábrica Viúva Lamego, sob a direção do aguarelista visconde João Alves de Sá (1878-1972), painéis colocados entre 1962 e 1963 no Tribunal, na Junta Geral do Funchal, obras da responsabilidade de Januário Godinho, mas também na parte militar do Palácio de São Lourenço.