Estreito da Calheta, fotografia de Anabela Gomes, setembro de 2025, ilha da Madeira.
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Descrição
Estreito da Calheta.
Fotografia de Anabela Gomes, 8 de setembro de 2025.
Estreito da Calheta, ilha da Madeira.
A freguesia do Estreito da Calheta insere-se na vertente sudoeste da ilha da Madeira, estendendo-se da faixa costeira até cotas que se aproximam dos 1200-1300 m, nas imediações do planalto do Paul da Serra. Confina com as freguesias da Calheta, Prazeres, Fajã da Ovelha e Ribeira da Janela. O topónimo ‘Estreito’ poderá ser explicado pela configuração longitudinal do território, delimitado pela ribeira de São Bartolomeu, a leste, e a ribeira Funda, a oeste. A morfologia da freguesia é marcada por diversos lombos: Lombo dos Castanheiros, Lombo da Igreja, Lombo do Lameiro, Lombo dos Moinhos, Lombo dos Reis, Lombo da Ribeira Funda, Lombo dos Serrões. ‘Lombo’ designa, na Madeira, uma «encosta ou vertente de terrenos elevados.», como esclareceu Fernando Augusto da Silva (1863-1949) (Vocabulário Madeirense, 1950, p. 74).
A paisagem agrícola é marcada pelas culturas da vinha, cana-de-açúcar e hortícolas, bem como terrenos de cultivo abandonados e cobertos por matagais. No século XVI, predominava, nesta localidade, a cultura da cana sacarina no morgadio dos Franças e nas fazendas de João Rodrigues Castelhano e Francisco Homem de Gouveia, tendo este instituído a Capela dos Reis Magos em 1529, no Lombo dos Reis. A vinha, o trigo e as árvores de fruta tinham também significado económico. Referindo-se às terras de Diogo de França, Gaspar Frutuoso (c. 1522-1591) afirmou, em 1584, que eram «boa fazenda de canas e vinhas, águas e frutas.»
O sexto capitão do Porto Santo, Diogo Perestrelo Bisforte (†1616), casou com D. Maria da Câmara, herdeira do morgado dos Reis Magos, e passou largas temporadas no Estreito da Calheta, faltando, por conseguinte, às obrigações da sua capitania. No Diário de Isabella de França (1797-1880), senhora inglesa que visitou a Madeira entre julho de 1853 e junho de 1854, encontra-se curiosa descrição da casa dos Franças, no Estreito da Calheta, antepassados do seu marido. Já então o solar do morgado apresentava sinais de degradação, devido ao facto de os proprietários, há anos, ali não residirem. Perante tal, escreveu: «Tive vontade de chorar com pena de que uma casa tão bonita assim se desmoronasse. Quem me dera possuir milhões para a restaurar!» Certo é que José Henrique de França (1802-1886), seu marido, em 1864, vendeu a Roque Caetano de Araújo e a seu irmão os imóveis que herdara, inclusive a casa nobre do Estreito da Calheta.
Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Estreito da Calheta”, Funchal Notícias.net, 16 de novembro de 2025.