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Arquipelago de Origem:
Machico
Data da Peça:
1975-01-14
Data de Publicação:
08/11/2025
Autor:
Comando Territorial Independente da Madeira e DN Funchal
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-14
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
ABM
Autor da Imagem:
ABM
Esclarecimento do Comando Territorial Independente da Madeira sobre as Campanhas de Dinamização Cultural, Diário de Notícias, Funchal, 14 de janeiro de 1975, p .3, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Esclarecimento do Comando Territorial Independente da Madeira sobre uma intervenção solicitada na sessão realizada na Paróquia da Ribeira Seca.
    Sessão realizada a 8 de janeiro de 1975, pelas 19 e 30, sessão onde atuara o Orfeão Madeirense e o Grupo Cénico da Ribeira Seca, onde fora pedido o saneamento de D. Francisco Antunes Santana (1924-1982), bispo do Funchal, esclarecendo-se não competir às Forças Armadas qualquer intervenção na hierarquia da Igreja.
    Diário de Notícias, direção de J. M. Paquete de Oliveira (1936-2016), Funchal, 14 de janeiro de 1975, p. 3.
    Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, DN, Funchal, ilha da Madeira.

    José Martins Júnior (Machico, 16 nov. 1938; idem, 12 jun. 2025) foi ordenado padre a 15 de agosto de 1962 na igreja matriz de Machico, celebrando a sua primeira no mesmo dia. Nomeado a 22 de junho de 1969 como pároco da Ribeira Seca, tornar-se-ia, a partir do 25 de abril de 1974 uma das figuras incontornáveis da política regional. Em 1967, fez uma comissão de dois anos em Moçambique, regressando à Madeira em 1969. Foi então nomeado pároco da recém-criada paróquia da Ribeira Seca e coadjutor da igreja matriz de Machico. Em 1975, presidiu a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Machico e, em 1976, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Regional, como independente, nas listas da UDP, lugar que acabou por ceder a um operário da construção civil e do que a UDP se veio a arrepender. Em 1977 foi suspenso "a divinis" pelo bispo D. Francisco Santana (1924-1982), sem processo canónico formado. Em 1980, recandidatou-se e foi eleito deputado e em 1982 assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Machico. Em 1985, a igreja da Ribeira Seca foi tomada de assalto por 70 elementos da Polícia de Segurança Pública, então sob as ordens do comissário coronel Nuno Homem Costa, a pedido do governo e da diocese, já no episcopado do novo bispo do Funchal, D. Teodoro Faria. Nas eleições autárquicas de 1989, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Machico, cargo para o qual foi reeleito, cumprindo o segundo mandato até 1998. Em 1995, entretanto, recebeu do presidente da República Dr. Mário Soares as insígnias de comendador da Ordem de Mérito e em 1997 foi eleito deputado independente, nas listas do PS, à Assembleia Legislativa Regional, onde permaneceu até 2007, quando deu por terminada a atividade política. Em julho de 2009 ainda teve de responder no tribunal da comarca de Santa Cruz, num processo interposto pelo Governo Regional, pela acusação de "exercício ilegal de sacerdócio", mas de que viria a ser absolvido. O padre Martins Júnior continuou a exercer o sacerdócio "em consonância com o povo de Deus da Ribeira Seca", como costuma afirmar, numa igreja e residência erguidas pela população local, onde em 2013 comemorou os seus 75 anos.
    No período que se seguiu à Revolução do 25 de Abril de 1974, foram delineados diversos programas de natureza pública e privada que procuraram elevar a condição social, económica e cultural dos portugueses, como as Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do Movimento das Forças Armadas (MFA), o Serviço Cívico Estudantil, etc. As primeiras sessões de dinamização cultural na Madeira ocorreram em 28 de novembro de 1973 na Ribeira Brava e no Porto Moniz, a que se seguiu em 1 de dezembro de 1974, sessões no Jardim do Mar e na Lombada da Ponta do Sol, a 8 de dezembro, na Ponta Delgada e em São Jorge, a 15 de dezembro, no Estreito de Câmara de Lobos e no Sítio das Terças da Ponta do Sol. Ao todo fizeram-se 67 sessões de esclarecimento cobrindo quase toda a ilha da Madeira e do Porto Santo, para além das ações efetuadas em 2 operações com a instalação de forças militares na área da Referta, no Porto da Cruz, e depois, na área da Ribeira da Alforra e do Castelejo, no Estreito de Câmara de Lobos, a operação Semilha Nova, entre 18 e 22 de junho. A diocese do Funchal organizou também ações semelhantes e com a participação de um militar do M. F. A., o então aspirante e depois alferes Albano Bessa Monteiro  (1949-), na altura professor no Liceu do Funchal, num total de 5 Jornadas, entre 6 e 10 de janeiro de 1975, às quais assistiu sempre D. Francisco Antunes Santana  e sessões que foram todas gravadas.
    D. Francisco Antunes Santana (Lisboa, 11 out. 1924; Funchal, 5 mar. 1982). Ordenado pelo cardeal Cerejeira, em 29 Jun 1948, veio a desempenhar um interessante trabalho com professor no seminário de Santarém e como pároco em várias freguesias de Lisboa. Diretor nacional do Apostolado do Mar desde 1960, veio a desempenhar funções de operário-monitor dos estaleiros da Lisnave, desde 1979, assim como inúmeras missões fora do país. Foi eleito bispo do Funchal a 18 mar. 1974, recebendo ordenação episcopal a 21 do mesmo mês, mas o pronunciamento do mês seguinte atrasou a sua deslocação para o Funchal. Faria a sua entrada solene na sé do Funchal a 12 maio 1974 e, logo nesse Verão, seria sequestrado nas instalações do seminário. Em fev. 1981 seria hospitalizado no Funchal, tendo, depois, sido operado em Londres, mas viria a falecer no paço episcopal do Funchal, a 5 mar. 1982.