Comunicação da chegada à Madeira e aos Açores dos oficiais da Comissão Dinamizadora Central sendo acompanhados no Funchal e em Ponta Delgada pelo diretor-geral da Cultura Popular e Espetáculos, Lisboa, 17 de novembro de 1974, Portugal
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Comunicação da chegada à Madeira e aos Açores de 3 oficiais da Comissão Dinamizadora Central sendo acompanhados no Funchal e em Ponta Delgada pelo diretor-geral da Cultura Popular e Espetáculos
Lisboa, 17 de novembro de 1974
5.ª Divisão do Movimento das Forças Armadas / Campanha de Dinamização Cultural
Arquivo da Defesa Nacional, ADN, EMGFA, 5DIV, 014, 0039, 003, 0099, Portugal.
No período que se seguiu à Revolução do 25 de Abril de 1974, foram delineados diversos programas de natureza pública e privada que procuraram elevar a condição social, económica e cultural dos portugueses, como as Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do Movimento das Forças Armadas (MFA), o Serviço Cívico Estudantil, etc. Assumindo-se como força libertadora de uma população reprimida durante quase 50 anos de ditadura, o MFA, com a colaboração da Direção Geral da Cultura Popular e Espetáculos, promoveu e organizou as Campanhas de Dinamização Cultural: «era preciso explicar ao povo português o programa do MFA» (Manuel Begonha, 1943-). Partilhava-se então a convicção de que, através das Campanhas de Dinamização Cultural, as populações locais poderiam ver as suas necessidades atendidas e, simultaneamente, seriam chamadas a aderir ao projeto revolucionário em curso e a estreitar a sua relação com as Forças Armadas, até então vistas como parte do aparelho repressivo do Estado Novo. O programa das campanhas de Dinamização Cultural foi criado a partir de junho, por iniciativa do general Francisco da Costa Gomes (1914-2001) e apresentado a 23 de outubro de 1974, na vigência do 3º Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves (1921-2005), no Palácio Foz, em Lisboa. Seria coordenado pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), uma estrutura da 5ª Divisão do Estado Maior das Forças Armadas, em colaboração com a Direção Geral da Cultura e Espetáculos. Uma das primeiras ações teve lugar logo em novembro no distrito da Guarda, com cadetes da Academia Militar.
Em novembro equacionava-se também a extensão aos Açores e à Madeira, tendo uma delegação chegado ao Funchal e feito logo reunião no domingo, dia 18, apresentando o elenco da futura comissão do Funchal. Deslocaram-se à ilha da Madeira 3 membros da Comissão Dinamizadora Central, major Carlos Eduardo Cação da Silva (), 1.º tenente da Armada Gastão Alexandre Pessoa Guerreiro (1944-2008) e capitão Francisco Faria Paulino (1945-), tal como o eng. Vasco Pinto Leite (1936-), diretor-geral dos Espetáculos e Cultura Popular. A comissão local determinada nessa manhã no Palácio de São Lourenço por voto secreto entre oficiais do quadro e milicianos, tal como de sargentos era constituída pelos capitães Câmara Rodrigues e José Manuel Reboredo Coutinho Viana (1946-), aspirante Albano Manuel Montenegro Bessa Monteiro (1949-) e o capitão Rui Carita (1946-). Foram ainda eleitos nessa manhã para fazerem parte da comissão o capitão José Jorge Frutuoso da Silva (1922-1982), o pintor Jorge Marques da Silva (1936-2022) e José Júlio Caldeira Leal. O objetivo deste programa era fortalecer a aliança entre o Povo e o MFA, assumido como um movimento libertador. As Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do MFA foram idealizadas para serem uma ferramenta no fortalecimento desta relação que condensava os ideais da fação progressista do MFA. O seu programa apontava várias linhas a abordar no contacto com as populações – a luta antifascista, o programa do MFA, o apoio às Forças Armadas, a isenção partidária e a análise e discussão da problemática nacional. Mas todos estes problemas deviam ser abordados com “inteligência política”, considerando “que cada comunidade possui uma cultura própria que não deve ser agredida. Pretende-se levar informação e estabelecer um diálogo que permita a participação no processo de democratização em que o País se encontra envolvido a partir dos problemas efetivamente vividos por essa comunidade”.