Nave lateral da Epístola com retábulo pintado por Josefa de Óbidos, 1661, igreja de Santa Maria de Óbidos, Portugal.
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Descrição
Nave lateral da Epístola com retábulo pintado por Josefa de Óbidos.
Retábulo de Santa Catarina, 1661
Josefa de Óbidos (1630-1684), 1661.
Azulejos de oficina de Lisboa, 1676
Fotografia do Turismo de Óbidos de 2020
Igreja de Santa Maria de Óbidos, Portugal.
Igreja que teria sido mesquita no período muçulmano e foi sagrada por D. Afonso Henriques (1109-1185), logo após a conquista da Vila, em 1148 e depois entregue a S. Teotónio (1082-1162), companheiro de D. Afonso Henriques e prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, mosteiro que teve depois o padroado até D. João III (1502-1557) o ter doado a sua mulher, a rainha D. Catarina de Áustria (1507-1578). O templo medieval fora profundamente reformado pela rainha D. Leonor (1458-1525) em finais do século XV, quando ali residiu com certa permanência, mas arrastando-se as obras pelo primeiro quartel do século XVI, tendo ficado dessa campanha a torre sineira, embora depois desmontada e de novo erguida e, de 1526-1528, já depois do falecimento de D. Leonor, o conjunto tumular de Nicolau Chanterene (1470-1551), que acolhe os restos do alcaide D. João de Noronha (1440-1525) e de sua mulher D. Isabel de Sousa. Com a doação a D. Catarina efetua-se a campanha de obras que constitui a configuração atual, com provável risco do arquiteto régio António Rodrigues (ca 1525-1590) (Pedro Flor, 2002). As novas obras iniciaram-se no dia 15 de agosto de 1571, dia da Assunção de Nossa Senhora, em que foi lançada a primeira pedra da nova igreja, com procissão e grande aparato religioso, prosseguindo as obras sob a proteção da Rainha. Subsistem nos topos das naves laterais belissimas telas de André Reinoso, o Baptismo no Rio Jordão e a Transfiguração, enquanto que, a estrutura retabular central da capela-mor, atribuída ao pintor João da Costa, com um ciclo de oito pinturas dedicadas a Virgem Maria, deve datar de 1622.
Josefa de Ayala Camacho Figueira Cabrera Romero (Fev. 1630-Óbidos, 22 jul. 1684) Josefa d'Óbidos, nasce em Sevilha em fevereiro de 1630 e a sua vida decorre entre a vila de Óbidos, onde os pais se instalam por volta de 1634 e, depois, a cidade de Coimbra, onde ingressa durante dois anos no Convento de Santa Ana. Vive entre localidades próximas, tais como Caldas da Rainha, Alcobaça, Nazaré, Buçaco, sempre num universo regional, tranquilo e recatado, profundamente devoto, com as suas igrejas, confrarias, irmandades e conventos, longe dos grandes centros e movimentos artísticos europeus. É na oficina do pai, o famoso pintor Baltazar Gomes da Figueira (Óbidos, 1604 - Óbidos 1674), formado esteticamente em Sevilha, no contacto com artistas como Francisco Herrera, o Velho (1576-1656), Francisco Zurbarán (1598-1664) ou Juan del Castillo (c. 1590-1658), que Josefa aprende a arte da pintura e com o pai trabalhará durante anos. Apesar deste isolamento, e do facto, por si só excecional de, neste contexto, ser uma mulher pintora, uma das poucas em Portugal na época, o modo como se exprime artisticamente é peculiar. Josefa na sua obra consegue integrar, sentir e interpretar com uma linguagem plástica muito própria, o espírito e a estética barrocos. Como afirma Vítor Serrão, “O estilo Joséfico afirmou-se cedo em termos de absoluta individualização, a ponto de as suas obras, mesmo se não assinadas ou documentadas, serem facilmente reconhecíveis.” Há na pintura de Josefa de Ayala uma dimensão mística, um sentimento inocente e profundamente humano, uma presença sensorial e táctil dos objetos, que se articulam num código iconográfico e estético facilmente identificável, mas plenamente barroco. Josefa forma-se na oficina do pai e, consequentemente, ambos trabalharam um repertório comum para determinados temas, como as naturezas mortas. Os modelos de cestos de cerejas, pratos com queijos e flores, taças com bolos e biscoitos, cestos com pão e folares, eram replicados em diferentes composições, numa produção de carácter oficinal. Josefa consegue criar uma envolvente de afeto e tranquilidade que torna a sua pintura inconfundível.
Foi considerada, logo a partir do século XVII, o protótipo da cultura seiscentista nacional, sendo a sua obra muito valorizada no contexto mecenático da época e disputada pelas coleções aristocráticas. Viveu a maior parte da sua vida em Óbidos, povoação que cumpria os requisitos de corte de aldeia, pela sua nobreza ativa e desafogada, defensora da causa de Bragança contra o domínio espanhol, pelas confrarias laicas e o senado municipal, pelas tertúlias literárias e as residências com obras de arte, para além da importância do seu património histórico.