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Arquipelago de Origem:
Canhas
Data da Peça:
2000-00-00
Data de Publicação:
19/10/2025
Autor:
Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses
Chegada ao Arquipélago:
2025-10-19
Proprietário da Peça:
Freguesia dos Canhas, Ponta do Sol
Proprietário da Imagem:
Freguesia dos Canhas
Autor da Imagem:
Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses
Brasão de armas da Freguesia dos Canhas, 2000, Ponta do Sol, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Brasão de armas da Freguesia dos Canhas
    Desenho da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 2000.
    Canhas, Ponta do Sol, ilha da Madeira

    O bem conhecido monumento a Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), nos Canhas, foi mandado construir por D. Matilde Amália da Trindade Cabral de Noronha (1890-1973) e o seu marido, Francisco Cabral de Noronha (1891-1962). A bênção da primeira pedra ocorreu no dia 17 de outubro de 1954, sendo a inauguração em 31 de maio de 1964, enquadrada no programa das celebrações do «28 de maio», data fundadora da ditadura que perdurou em Portugal até à «Revolução do 25 de abril». O projeto escultórico geral é da autoria de Anjos Teixeira (1908-1997) e a escultura no arco central, é obra de José Ferreira Thedim (1892-1971). Para o Calvário, culmina a Via-Sacra ao longo da estrada regional. Este monumento de fé foi construído com a contribuição dos promotores da iniciativa, população local, emigrantes, Câmara Municipal da Ponta do Sol, Ministério das Obras Públicas e de outras entidades religiosas. Pelo seu destaque na paisagem dos Canhas e afetos religiosos da população, está representado no brasão da autarquia.
    Segundo os ‘Censos de 2021’, a freguesia tinha 3597 habitantes, isto é cerca de 59,5 da população de 1930 (6047). O Recenseamento Eleitoral, de 31-12-2024, regista 4387 eleitores nacionais, 2 da União Europeia e 3 outros cidadãos estrangeiros residentes. Heráldica da freguesia: Armas – Escudo de prata, três arcos de volta perfeita, de púrpura, lavrados de ouro, alinhados em faixa, o central contendo a cruz do Calvário assente em três degraus; em chefe, sol de vermelho e em ponta, três burelas ondadas de azul e prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro em maiúsculas: “CANHAS – PONTA DO SOL“. (Diário da República, n.º 275, 3.ª Série, Parte A, 28-11-2000).
    O topónimo ‘Canhas’ provém do sobrenome do primeiro povoador desta localidade, João do Canha, que, nos meados do século XV, ali se estabeleceu.  O seu filho, Rui Pires de Canha, era proprietário de uma fazenda de canas-de-açúcar. De “terras dos Canhas” depressa passou a “Canhas”. No litoral desta freguesia, localiza-se o sítio denominado, nos dias de hoje, ‘Anjos’, topónimo que remonta ao início do povoamento da ilha. De facto, na primeira metade do século XV, alguns frades franciscanos fixaram-se neste lugar ermo e ergueram uma capela dedicada a Santa Maria dos Anjos. Primitivamente, pertencia à freguesia da Ponta do Sol. O alvará régio, de 30 de janeiro de 1577, conferiu ao bispo do Funchal, D. Jerónimo Barreto (1543-1589) a faculdade de criar a paróquia dos Canhas, desagregando-a da Ponta do Sol. O primeiro vigário de que temos conhecimento vem referido em carta régia de 9 de junho de 1581, padre Diogo da Silva, com um ordenado anual de 200 rs., aumentados a 3 de outubro de 1588 com 30 alqueires de trigo e um quarto (de pipa) de vinho para as despesas da sacristia.
    A sua primeira sede foi a Capela de Sant’Iago, traçada por João Gonçalves Zarco, mas já referindo o alvará régio de 16 de julho de 1581 a mercê anual de 4$000 rs., à Fábrica de Nossa Senhora da Piedade dos Canhas. Por diversas vezes, veio este templo a ser reedificado, havendo mandado do Conselho da Fazenda de 15 de março de 1676 para se fazer a obra da capela-mor da dita igreja, arrematada por Salvador Lopes, por 419$000 rs. Bastante danificada pelo terramoto de 1748, teve alvará régio de 20 de junho de 1752 para reedificação, obras que se teriam arrastado bastante.
    Ct. Nelson Veríssimo, "Canhas" in Freguesias da Madeira, Funchal Notícias, 18 de outubro de 2025.