Almoço em honra dos reis da Suécia na Quinta Vigia, in Diário de Notícias, Funchal, 4 de outubro de 1986, ilha da Madeira
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Almoço em honra dos reis da Suécia na Quinta Vigia
(Gustavo de Bernardotte, Solna, 30 de abril de 1946; subiu ao trono a 15 set. 1973-) e (Sílvia Renata Sommerlath, Heidelberg, 23 dez. 1943, tendo vivido depois entre 1947 e 1957, em São Paulo, Brasil; -)
Por ocasião da visita ao Hospício Princesa D. Maria Amélia.
Com a Rainha, o jornalista Tolentino Nóbrega (1952-2015), fotografia de Rui Marote, 3 de outubro de 1986, no Hospício.
Diário de Notícias, Funchal, 4 de outubro de 1986, ilha da Madeira.
A instituição do Hospício Princesa D. Maria Amélia foi feita pela ex-imperatriz do Brasil, D. Amélia de Beauharnais Leuchetenberg (1812-1873), duquesa de Bragança, em memória da filha, falecida no Funchal 4 de fevereiro de 1853. O projeto tinha sido encomendado em Inglaterra, por concurso organizado pelo Dr. Francisco António Barral (1801-1878), ao arquitecto F. B. Lamb, mas no Funchal foi algo alterado pelo engenheiro e arquiteto João Figueirôa de Freitas e Albuquerque (c. 1820-1867), de forma a se adaptar ao local adquirido e às especificidades na área médica a que deveria obedecer. D. Amélia veio a falecer em 1873, legando a administração do Hospício à sua irmã Josefina (1807-1876), rainha da Suécia, alegando que administrações daquele tipo não deveriam ter maioria de elementos portugueses ou brasileiros. Desde então passaram os reis da Suécia a ser os administradores titulares daquela instituição. Cento e cinquenta anos depois, a rainha Sílvia da Suécia (1943-) e administradora titular do Hospício seria, em parte, de origem brasileira. A rainha visitaria o Hospício pela primeira vez a 3 de outubro de 1982, depois com o marido, a 3 de outubro de 1986 e, de novo e sozinha, em 2 de maio de 2017.
José Tolentino de Oliveira Fernandes de Nóbrega (Machico, 2 fev. 1952-Funchal, 7 abr. 2015) nasceu em Machico e licenciou-se em Pintura pela antiga Secção de Belas Artes da Academia de Música e Belas Artes da Madeira e chegou a trabalhar no ensino, tendo sido professor de Desenho e Geometria na então Escola Industrial e Comercial do Funchal, hoje Escola Secundária Francisco Franco. Ainda como aluno das Belas Artes, entretanto, em 1972 inicia a sua carreira de jornalista no Comércio do Funchal, passando depois, entre 1974 e 1993, para o Diário de Notícias do Funchal, mas passando pelas redações de inúmeros periódicos de Lisboa, como o Expresso, A Luta e O Jornal, integrando depois o grupo fundador do Público, para cujo quadro entrou em 1992, mantendo-se nesse periódico até ao seu falecimento, como correspondente na Madeira. Em abril de 1999, foi-lhe atribuído o Prémio Gazeta 1998, o galardão mais prestigiado do jornalismo português, pelo Clube de Jornalistas, pela cobertura “persistente, exaustiva e rigorosa” que fazia da situação na Madeira. Ao longo da sua carreira foi bastante crítico da governação da Madeira, embora fizesse sempre questão de referir que não estava em causa o Governo Regional, mas sim a sua oposição e crítico a "todas as formas de autoritarismo e de todas as formas de governo que desrespeitem as liberdades, muito particularmente a liberdade de expressão. Sem uma imprensa livre não há democracia". Em 2006 foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio (1931-2021), com a Ordem do Infante D.Henrique no grau de comendador. A 7 de abril de 2015, o Público escrevia na sua edição online: «Morreu Tolentino de Nóbrega, jornalista sem medo».