Nkangi Kiditu do Brooklyn Museum, NY, oficina Congo, 1800 (c.), Cabinda ou Norte de Angola
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Descrição
Nkangi Kiditu
(Crucifixo)
Bronze fundido por cera perdida, (34,3 x 15,2 x 2,5 cm.
Escultor Congo, 1800 (c.) (classificado como do início do século XVII, o que nos parece exagerado).
Norte de Angola.
Oferta de Jean C. and Raymond E. Britt Jr. Collection, 2011, por troca.
Brooklyn Museum (2011.74), Brooklyn, New York, Estados Unidos da América.
Os Nkangi Kiditu (crucifixo) evidenciam, por um lado, a influência formal que os crucifixos levados pelos portugueses a partir do séc. XVI tiveram na cultura Kongo e, por outro, as diversas reinterpretações que lhes foram sendo dadas ao longo dos séculos. Amuletos e insígnias de poder, os Nkangi Kiditu detêm um papel determinante no culto que esta cultura presta aos seus antepassados. A cruz cristã representa, na tradição Kongo, yowa (os quatro ventos, os quatro pontos cardinais, as quatro forças criadoras do ciclo da vida), como objetos com propriedades mágicas que asseguram aos seus detentores proteção. Existem inúmeros exemplares em bronze, de artífices do Congo em vários museus e coleções particulares, talvez mesmo ainda dos meados do século XVIII, como os exemplares da Sociedade de Geografia de Lisboa ou do Museu Etnográfico de Berlim e depois, do século seguinte, como os do Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, pub. António Alves Ferronha, "Textos e principais documentos sobre a colonização e o conhecimento de Angola no século XVI" in Portugal no Mundo, direcção de Luís de Albuquerque, vol. II, As zonas de influência do Ocidente. Origem e desenvolvimento da colonização, Publicações Alfa, Lisboa, 1989, p. 286; Jill Rosemary Dias (1944-2008), África nas Vésperas do Mundo Moderno, Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, 1992, Exposição Universal de Sevilha, 1992, p. 280; Felix, Marc L. (ed.), Kongo Kingdom Art, China 2003, p. 205; Schädler, Karl-Ferdinand, Afrika, Maske und Skulptur, Olten 1989, ill. 107.