Harry Hinton e o enterro da sua Ilha, Um bonito funeral, in Re-Nhau-Nhau, Ano IX, Funchal, 31 de janeiro de 1936, ilha da Madeira.
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Descrição
Harry Hinton e o enterro da sua Ilha, Um bonito funeral.
(1859-1948)
Com o Dr. Augusto Elmano Vieira (1892-1962)
O Dr. Elmano Vieira e Harry Hinton cumprem o doloroso dever de comunicar às pessoas das suas relações e amizade o falecimento da sua muito estimada "ILHA" do Doutor pelo Hinton, e que o seu funeral se realiza hoje, tal como nesta página se contém, saindo da sua residência para os escritórios de Hinton & filhos, a "bem da ração".
Caricatura de Ivo, João Ivo Ferreira (1910-1980) in Re-Nhau-Nhau, Ano IX, Funchal, 31 de janeiro de 1936, p. 8.
Exemplar da Biblioteca Municipal do Funchal, ilha da Madeira.
Harry Carvelery Hinton (Funchal, 8 jan. 1859; idem, 16 abr. 1948). Filho de William Hinton (1817-1904) e de Mary Wallas, veio a juntar o património do pai e do sogro que transformou e ampliou para o tratamento da cana sacarina, de que se haveria de tornar monopolista na produção de açúcar e álcool na Madeira. Mesmo com o célebre processo da Questão Hinton, pelo qual perderia o monopólio em 1919, adquiriu depois a fábrica de São Filipe, voltando a deter os mesmos monopólios. Entusiasta do futebol era presidente honorário do Club Sport Marítimo. Harry Hinton casou em 2.ªs núpcias com D. Isabel da Câmara e Vasconcelos do Couto Cardoso, que havia sido casada com John Frothingham Welsh (1870-1958), tendo o filho desta, George Welsh (1895-1981), herdado o importante património Hinton.
Nas primeiras medidas da vereação de Fernão Ornelas (1908-1978) de 1935 entraram as de ordem económica, para fazer face a enorme campanha de reformulação prevista para a cidade, como foram os impostos prediais, as taxas de enterramento e outras, tal como depois o aluguer dos contadores da água. A reestruturação, inclusivamente, afetou os principais comerciantes de origem inglesa radicados no Funchal, que até então estavam praticamente livres de impostos, como o caso do João Blandy (John Reeder Blandy, 1909-1996), que detinha a posse de parte da distribuição de água, através da “água do Blandy”. Depois de Fernão Ornelas, no entanto, de longe a figura mais presente no Re-Nhau-Nhau é do industrial Harry Hinton (1895-1948), face às multas camarárias aplicadas à Fábrica do Torreão, cuja chaminé colocava constantemente em causa a segurança da cidade. O cerco fiscal da vereação de Fernão Ornelas levou, inclusivamente ao quase encerramento da Fábrica do Torreão e, depois, à sua reestruturação, associando-se Hinton aos herdeiros do financeiro Visconde de Monte Belo (João de Freitas da Silva, também Bello Monte, 1849-1922).