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Arquipelago de Origem:
Cochim
Data da Peça:
1600-00-00
Data de Publicação:
30/06/2023
Autor:
Oficina local
Chegada ao Arquipélago:
2023-06-30
Proprietário da Peça:
Património do Archaeological Survey of India
Proprietário da Imagem:
Privado
Autor da Imagem:
Privado
Krishna e os Gopis, fresco de 1600 (c.) e seguintes, Palácio de Mattancherry, Kochi Fort, Koch, Kerala, União Indiana

Categorias
    Descrição
    Krishna e os Gopis.
    Fresco.
    Oficina local de 1600 (c.) com repinturas várias, a última, de 1864.
    Palácio com construção portuguesa de 1555 e reformas nos anos seguintes.
    Fotografia de 2016.
    Palácio de Mattancherry, Kochi Fort, Koch, Kerala, União Indiana.

    O Palácio de Mattancherry foi construído pelas autoridades portuguesas, cerca de 1555, para ser oferecido ao rajá de Cochim, Vira Kerala Varma (c. 1500-1561). Para além de um gesto diplomático que visava consolidar relações, as razões da construção do palácio prendiam‐se com a tentativa de fixação do rajá e da sua corte, na cidade que os portugueses tinham construído na embocadura do Lago Vembanad. Contrariando uma tradição antiga, em que família real e corte tendiam a deambular por palácios de pequenas proporções, construídos em requintadas estruturas de madeira, o novo palácio ergue‐se de forma compacta e monumental, na tradição dos grandes palácios construídos pelos portugueses para os seus governadores e vice-reis. De grossas paredes em laterite rebocadas a cal, pela sua solidez esta nova arquitetura afirmava‐se de grande resistência face aos constantes conflitos que assolavam a região e opunham o rajá de Cochim ao samorim de Calicute. Afastando‐se das tradições indianas, onde o modelo de casa tradicional autóctone se caracterizava por um piso térreo assente sobre uma plataforma, o programa arquitetónico do palácio contempla dois pisos, com conversadeiras nas janelas do piso superior e uma larga escada exterior em pedra, na tradição das casas senhoriais e palácios portugueses do século XVI. Testemunhando uma progressiva influência portuguesa na arquitetura da região, é este novo modelo de casa, com dois pisos e paredes de laterite, que virá a ser assimilado pela arquitetura local corrente, vindo nos séculos seguintes a ser integrado no modelo de casa tradicional. Cruzando tradições autóctones com tradições portuguesas, o palácio apresenta uma estrutura em pátio interior, onde se recolhe um pequeno templo dedicado à divindade tutelar da família real, Pazhayannur Bhagwati.
    De inegável valor patrimonial, ao longo dos séculos o palácio recebeu magníficas pinturas que decoram várias salas dos seus interiores, pinturas essas que atestam a emergência, no século XVI e XVII, de uma escola de pintura de grande qualidade estética no Kerala. Nas divisões contíguas à grande sala central, com cobertura em pau‐rosa, encontram‐se pintadas cenas da iconografia de Shiva e Vishnu. Noutros compartimentos, podemos observar representações da vida de várias divindades. No interior do palácio recolhe‐se um conjunto de pedras lavradas ao gosto manuelino, correspondendo em princípio a uma antiga janela do palácio. Aqui encontra‐se instalado desde 1985 o Mattanchery Palace Museum, sob a tutela do Archaeological Survey of India (Hélder Carita)