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Arquipelago de Origem:
Madeira
Data da Peça:
1908-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
19/08/2022
Autor:
António Balbino Rego
Chegada ao Arquipélago:
2022-08-19
Proprietário da Peça:
ABM/ARM
Proprietário da Imagem:
ABM/ARM
Autor da Imagem:
ABM/ARM
Um Anno Depois, Assuntos Madeirenses, António Balbino Rego, Porto, Typ. da Empreza Litographica e Typographica, 1908, Portugal

Categorias
    Descrição
    António Balbino Rego, Um Anno Depois, Assuntos MadeirensesPorto, Typ. da Empreza Litographica e Typographica, 1908
    Médico Diretor do Laboratório de Bacteriologia e Higiene do Funchal
    (1874-c. 1940)
    Exposição virtual da DRABM sobre as epidemias que marcaram a História da Madeira, março 2021, ilha da Madeira.

    Entre os dois surtos de cólera de 1856 e de 1910 houve, em 1905-1906, um contágio de “febres infecciosas”, designação oficial atribuída pelas autoridades civis à epidemia que se alastrava pelo Funchal. O combate à “peste bubónica” foi envolvido por contornos políticos. O governador civil (substituto), Dr. Pedro José Lomelino (1864-1930), tomou decisões imediatas com o objetivo de minimizar a difusão da epidemia na Madeira. Priorizou o isolamento dos contagiados no Lazareto e manteve prudência na divulgação das circunstâncias sanitárias. Desta forma, continha um alvoroço geral e a Região precavia-se de consequências iminentes, advindas do encerramento do porto do Funchal, caso se confirmasse e oficializasse a existência, não de doenças “infeciosas”, mas de “Peste”. Curiosamente, anos antes, a cidade do Porto tinha agido com a mesma cautela. A oposição política parecia ter encontrado uma oportunidade de iniciar uma controvérsia à volta dos internamentos e da escassez de informações gerais. As medidas sanitárias implementadas no hospital geraram muito medo e muita revolta na população, que se deixava persuadir por todo o tipo de rumores. Não demorou muito para que o povo começasse a ver o Hospital como um necrotério e decidisse assaltá-lo para libertar os “presos”. O Dr. Balbino Rego, responsável pelos doentes do Lazareto, e o Governador Civil foram incriminados por pretenderem angariar, indevidamente, fundos monetários do governo central, ao tratarem uma doença que não existia, tendo sido abundante os folhetos e a chamada “literatura de cordel” sobre esse assunto (Texto ABM, mar. 2021).
    António Balbino Rego (1874-c. 1940), natural de Bragança, onde nasceu a 23 maio 1874, formou-se pela Escola Médico Cirúrgica do Porto em 1900, tendo proferido a dissertação inaugural nesse ano à Escola Médico Cirúrgica do Porto, como interno do Hospital Geral de Santo António e aluno assistente do Laboratório Municipal de Saúde e Higiene, editada com o título Pneumonia pestosa: (a Peste bubónica no Porto - 1899-1900), Tipografia a Vapor de José da Silva Mendonça, dedicada à memória do Dr. Câmara Pestana (1863-1899) e ao Dr. António Jorge (1858-1939). Estava na Madeira em 1903, onde exercia medicina privada, casando com Maria das Mercês Figueira, (ABM/ARM, RP, Liv. 6551 A, f. 42-43), de que houve geração. No seguinte ano de 1904 foi nomeado diretor do Posto de Bacteriologia e Higiene do Funchal, recentemente criado. Com o despoletar de um provável surto de peste bucólica de 1905, um contágio de “febres infecciosas”, designação oficial atribuída pelas autoridades civis à epidemia que alastrava pelo Funchal, evitando o termo de “Peste”, que poderia do encerramento do porto, como anos antes se fizera na cidade do Porto. O  governador civil (substituto), Dr. Pedro José Lomelino (1864-1930), determinou o isolamento dos contagiados no Lazareto e nomeou o Dr. António Balbino Rego como diretor daquele hospital, mantendo prudência na divulgação das circunstâncias sanitárias, para conter algum alvoroço geral. A oposição política, que alguns periódicos indiciam como liderada pelo Dr. Leite Monteiro (1841-1920), do partido Fusionista e partido Regenerador, encontraram a oportunidade de iniciar uma controvérsia à volta dos internamentos e da escassez de informações gerais, acusando, inclusivamente, o governador civil e o Dr. Balbino de pretenderem angariar, indevidamente, fundos monetários do governo central, para tratarem uma doença que não existia, tendo sido abundante os folhetos e a chamada “literatura de cordel” sobre esse assunto. As medidas sanitárias implementadas no hospital geraram muito medo e muita revolta na população, que se deixava persuadir por todo o tipo de rumores e não demorou muito para que o povo começasse a ver o Hospital como um necrotério e decidisse, com soldados de Infantaria 27, assaltá-lo para libertar os “presos”, a 7 jan. 1906. Refere o Elucidário Madeirense (1998, vol. II, p. 404-405 e vol. III, pp. 77-78, 87-88 e 188-189) que o responsável pelos doentes do Lazareto teve a casa apedrejada, tendo de se refugiar em São Lourenço e embarcar depois para Lisboa. Mais tarde, tendo o governo de Lisboa determinado o seu regresso ao Funchal, para tomar posse do lugar, novas manifestações levaram a que nem conseguisse chegar a terra, regressando ao continente no mesmo navio. Veio a ser, por concurso, nomeado médico e cirurgião dos hospitais civis de Lisboa, e diretor do Posto Antropométrico de Lisboa do Serviço de Identificação e Registo Policial, sendo como titular daquele cargo e Vogal do Conselho Nacional de Turismo, sendo proposto, em 1931, para ser condecorado com a Ordem Militar de Cristo, mas a 10 jan. 1937, teve o grau de oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada.
    Dr. Pedro José Lomelino (1864-1930). Natural da Ilha Porto Santo, era médico formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, tendo sido nomeado governador civil substituto do Distrito em outubro de 1904 (DN, Funchal, 24 out. 1904, p. 1), vindo depois a apresentar a demissão com a queda do gabinete José Luciano de Castro (1835-1914), tal como então governador civil capitão de engenharia João Soares Branco (1863-1928) e restantes quadros de confiança política do gabinete de Lisboa, em março de 1906 (DN, Ib., 21 mar. 1906, p. 2).