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Arquipelago de Origem:
Camarões
Data da Peça:
1990-00-00
Data de Publicação:
01/05/2021
Autor:
Cameroon Grasslands
Chegada ao Arquipélago:
2021-05-01
Proprietário da Peça:
Privado
Proprietário da Imagem:
Privado
Autor da Imagem:
Privado
Dançarino Bamileke da sociedade Kuosi com máscara elefante revestida a missangas e cauris, 1990 (c.), Camarões

Categorias
    Descrição
    Dançarino Bamileke da sociedade Kuosi revestido a missangas.
    Máscara Elefante.
    Estrutura de madeira, tela e tecido revestida a missangas e cauris.
    Fotografia de 1990 (c.).
    Bamileke, Cameroon Grasslands, Camarões

    O Camarões é composto por uma imensa diversidade de povos – por volta de 250 – o que levou o país a ser conhecido como a “pequena África”. Dentre esses povos, estão os Bamileque, que vivem a oeste do país e teriam historicamente migrado do norte a partir do século XVII. Elefantes, leopardos e búfalos são frequentemente associados ao poder político entre os hierarquizados reinos das pradarias (Grasslands) do Camarões. Entre os Bamileque, uma das máscaras mais importantes é a conhecida como máscara elefante. Essa máscara é usada por membros de uma associação chamada Kuosi, que desempenha o papel fundamental de assistir ao rei (fon) na preservação da rígida hierarquia sociopolítica dos Bamileque O direito em possuir ou usar a máscara é fortemente controlado: apenas membros da realeza, oficiais da corte, detentores de títulos e importantes guerreiros são admitidos nessa associação de mascarados que atuam em funerais de pessoas de alta hierarquia, celebrações da própria associação, além de outros eventos de destaque. Apesar de apresentar pequenas variações ao longo do tempo, a máscara elefante é sempre distinguida por suas orelhas grandes e em forma de disco e por dois painéis, um frontal e um traseiro, representando a tromba do elefante. Esse tipo de máscara é também comumente bordada com missangas, altamente valorizadas entre esses povos e provavelmente introduzidas na região das pradarias (Grasslands) vindas pelo oceano Atlântico, a partir de ateliês da Itália e da atual República Tcheca. Em algumas regiões do Camarões as contas chegaram a ser usadas como moeda de troca e sua distribuição era controlada exclusivamente pelo rei. A vestimenta que acompanhava a máscara tradicionalmente consistia numa túnica feita de um tecido resistente tingido de índigo, enfeitado com peles de macaco; coletes de contas e cintos. Acompanhava ainda um espanta moscas feitos de rabo de cavalo. Além disso, muitas dessas máscaras, que são usadas até hoje, trazem um enorme chapéu em forma de disco feito com penas vermelhas da cauda do papagaio cinza africano.
    O elefante é um animal que simboliza o poder real entre os povos do Camarões. Os motivos costurados e com enfiadas de contas da máscara referem-se às manchas da pele de animais como o leopardo que, assim como o búfalo, tem sua imagem ligada à realeza.

    Pub. in África em Artes, Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua e Renato de Araújo da Silva, São Paulo, Museu Afro Brasil, 2016, Brasil, p. 26.