Salgueiro Maia colecionador, Casa da Cidadania, julho de 2021, conjunto fortificado de Castelo de Vide, Portugal
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Descrição
Salgueiro Maia colecionador
(1944-1992).
Com miniaturas de carros de combate.
Casa da Cidadania, reabilitação da Câmara Municipal de Castelo de Vide, onde por sua vontade expressa se apresenta o seu espólio, nomeadamente o que está diretamente ligado a um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea de Portugal e à implementação do Regime Democrático em 25 de Abril de 1974.
Novo complexo projetado por Nicolau de Langres (c. 1610-1665), 1652 e reformado por Miguel Luís Jacob (c. 1710-1771), em 1755.
Projeto museológico DIGMA inaugurado 1 de julho de 2021, quando o Capitão de Abril faria 77 anos,
Fotografia de julho de 2021.
Complexo barroco do conjunto fortificado de Castelo de Vide, Portugal.
Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 jul. 1944; Lisboa, Hospital Militar de Belém, 4 abr. 1992). Depois de frequentar a Academia Militar e a Escola Prática de Cavalaria, desempenhou funções de alferes-comando em Moçambique, durante a Guerra Colonial. Já com o posto de capitão, na madrugada de 25 de abril de 1974, dirigiu as tropas revolucionárias de Santarém, com o depois general Tavares de Almeida, até Lisboa, tornando-se uma das figuras-chave do golpe. Tomou os ministérios do Terreiro do Paço e o quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, onde estava refugiado o chefe do Governo, professor Marcello Caetano (1906-1980), que se lhe rendeu. Assim se deu a queda do Estado Novo. A revolta militar foi desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou o regime praticamente sem o emprego da força e sem provocar vítimas. Os dois únicos momentos de tensão foram protagonizados pelo próprio Salgueiro Maia: o primeiro foi o encontro com um destacamento de blindados, até então obediente ao Governo, resolvido quando estas tropas tomaram posição ao lado dos revoltosos; o outro ocorreu quando o capitão mandou abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR. Retomando modestamente o rumo da sua carreira militar, o capitão Salgueiro Maia recusou as honrarias que o regime democrático lhe quis atribuir. Todos os anos é recordada a sua coragem e a sua determinação aquando das comemorações do 25 de abril.
“Salgueiro Maia foi, na modéstia e isenção do seu comportamento e na honradez do seu carácter, uma referência. Compreendeu como poucos o papel que deve caber aos militares numa sociedade democrática”. Estas palavras de Mário Soares (1924-2017) levantam-nos o véu sobre a força de espírito que o mais famoso Capitão de Abril detinha, e pela qual é reconhecido, mas um homem não se constrói num único momento. É fruto de um percurso vivencial, de uma vida de aprendizagem, que molda o espírito humano e o leva a atos considerados, pela sociedade, de grande valor. Aqui se procura encontrar o percurso de vida de Salgueiro Maia, um homem de grande valor. Conhecendo o seu passado, melhor se pode compreender o homem e a sua circunstância (Sinopse à 11ª edição da editora Âncora).