Literatura de Cordel de Manuel Gonçalves, o Feiticeiro do Norte, Danilo José Fernandes, Funchal: Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, 2020, ilha da Madeira.
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Descrição
Danilo José Fernandes, Literatura de Cordel de Manuel Gonçalves, o Feiticeiro do Norte.
(1858-1927)
Coleção O Trilho, Núcleo Museológico de Arte Popular, Caderno nº 7, edição comemorativa dos 600 Anos da Madeira e Porto Santo com prefácio de Jorge Freitas Branco, Funchal: Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, 2020.
Ilha da Madeira.
Manuel de Jesus Gonçalves de Freitas, o Feiticeiro do Norte (Arco de São Jorge, 14 0ut. 1858; idem, 19 mar. 1927) foi um dos mais célebres poetas populares da Madeira, um agricultor e poeta, homem do povo e analfabeto, cuja poesia popular ganhou adeptos por toda a ilha. Filho de João Gonçalves de Freitas e de Maria Júlia, conservou a alcunha dos seus antepassados capazes de criar rimas quase espontâneas e em pública, deliciando os seus ouvintes. Casou ainda jovem com Maria de Jesus, da qual teve uma criança, que acabou por falecer assim como a sua 1ª esposa, voltando a casar, em segundas núpcias, com Maria de Jesus Pestana, de quem teve então 8 filhos, embora 4 dos quais também falecessem precocemente. Emigrou para o Brasil em 1910 chegando a editar naquele país dois poemas, como já havia feito na Madeira, mas regressando depois. Segundo GOMES (1959), a poesia de Manuel Gonçalves é uma reminiscência do jogral medieval, que simultaneamente divertia e censurava, ganhando popularidade essencialmente pela sua sinceridade, espontaneidade, limpidez e originalidade, sendo a sua principal característica criar e não repetir. A sua arte de rimar começou a evidenciar-se perto dos 40 anos nos arraiais madeirenses onde a sua veia criadora se cruzou com os sons do rajão e dos ferrinhos. Fisicamente era um homem que se evidenciava pela sua farta barba que ostentava com orgulho, à imagem dos filósofos. Tinha uma deformidade nas pernas e, pelas suas próprias palavras, tinha um corpo malfeitaço, era cambado das pernas, tinha o pescoço curto, os olhos encolhidos, braços delgados e dedos compridos. As suas poesias, editadas em folhas volantes, deliciaram e comoveram gerações.