Auto de Santa Catarina da antologia de Baltazar Dias, ilustração de Juan Abreu, Porto e Funchal, Edições Esgotadas, maio de 2018.
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Descrição
Auto de Santa Catarina da antologia de Baltazar Dias
(c. 1480-1534)
Ilustração de Juan Abreu
Coordenação geral de Eduardo Franco, Luísa Antunes Paolinelli e Cristina Trindade.
Coleção Baltazar Dias, nº 1, Porto e Funchal, Edições Esgotadas, maio de 2018.
O nome mais importante do teatro madeirense deve ser o de Baltazar Dias (c. 1480-1534), do qual pouco se sabe, apesar de ter tido grande nomeada no seu tempo como poeta e autor de vários autos, que as classes populares liam avidamente e de que se fizeram muitas edições. Vagamente consta que nasceu na freguesia de Santana e presume-se que tivesse passado uma parte considerável da sua vida no continente do reino, onde faleceu em ano que não podemos determinar. Diz Diogo Barbosa Machado (1682-1772) na sua Bibliotheca Lusitana que foi um dos célebres poetas que floresceram no reino del-rei D. Sebastião, principalmente na composição de autos, com a circunstância de ser cego de nascimento.
A sua obra mais editada teria sido A Tragédia do Marquês de Mântua, a que se segue o Auto do Nascimento, o Auto de Santa Catarina e o Auto de Santo Aleixo. Conhecem-se, depois outras, com edições mais tardias, mas como sendo de sua autoria, assunto sempre discutível, como o Auto Breve da Paixão de Cristo, 1613, os Conselhos Para Bem Casar, 1638, o Auto da Malícia das Mulheres, 1640 e a História da Imperatriz Porcina, 1660. Encontram-se ainda atribuídas o Auto do Príncipe Claudiano, que figurava no Index de 1624, as Trovas de Arte Maior à Morte de D. João de Castro, de 1548 e o Auto da Feira da Ladra, mas obras hoje perdidas.
A sua importância é hoje atestada por ter entrado no folclore do interior do Brasil, onde a referência ao nome feminino Porcina é comum, para além de várias representações inspiradas nas suas peças e, muito especialmente, na ilha de São Tomé, onde a representação teatral de A tragédia do marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno é conhecida por Tchiloli, nome quase símbolo de teatro, cuja representação dura quase quatro horas, logicamente dentro de um arranjo de cariz popular e folclórico. A peça foi introduzida em São Tomé e Príncipe no fim do século XVI pelos portugueses que vieram implantar a cultura de cana-de-açúcar e assim, muito provavelmente, por madeirenses. As companhias teatrais, denominadas Tragédia, que dão as representações de Tchiloli, são constituídas por cerca de trinta pessoas: todos homens que desempenham também os papéis de mulheres, tal como aconteceu até ao século XVIII. Os papéis são hereditários, cada um dos atores possui o seu papel durante toda a vida e transmite-o aos seus filhos, sobrinhos ou afilhados, dentro da tradição africana.