
A Nau Madre de Deus, dado como o maior navio do mundo, no seu tempo, navegando a partir das Índias Orientais, na sua segunda viagem à Índia e na esperança de parar para reabastecimento nos Açores, em agosto de 1592, já no regresso a Lisboa foi atacado e capturado, por uma frota de seis navios, perto da Ilha das Flores. Foi a maior captura de sempre pelos corsários de Isabel I (1533-1603) de Inglaterra. Com destaque para Sir Walter Raleigh (1552-1618) enviado pela Rainha para reclamar o seu quinhão do saque. O valor estimado da carga equivalia a metade do tesouro inglês na altura. A Nau Madre de Deus constituiu, por isso, um dos maiores saques da História. O navio tinha 500 toneladas de carga preciosa, que incluía gemas, ouro, prata, rolos de seda, marfim, ébano, porcelana Ming, pimenta, especiarias e benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos), entre outros. Construída para a Carreira da Índia na Ribeira das Naus de Lisboa, em 1589, tinha 50 metros de comprimento, 14,5 metros de largura e deslocava 1600 toneladas (900 t em carga). Dispunha de 7 conveses e 32 canhões, entre outras armas, empregando uma tripulação de 600 a 700 homens.