Quarto de D. Afonso VI, azulejos de chão de 1440 (c.), cama com dossel, 1660 (c.), Palácio Nacional de Sintra, Portugal
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Descrição
Quarto de D. Afonso VI.
D. Afonso VI (1643-1683)
Cama com sobrecéu ou com dossel, 1660 (c.)
Chão de azulejos mudéjares de Sevilha, 1440 (c.).
Palácio Nacional de Sintra, Portugal.
Este é o núcleo mais antigo do palácio, uma estrutura fortificada que foi construída para defender o território envolvente, situado na zona mandada construir, ou reconstruir, por D. Dinis (1261-1325) e D. Isabel de Aragão (1271-1336), no século XIV. Exibia, perante a população, a autoridade senhorial e, autoridade essa que cabia à Rainha, a quem o rei entregava as terras (ou vila) de Sintra para sua gestão. Como autoridade máxima, as rainhas tinham o seu aposento nesta zona do Paço, que era a mais inacessível de todas.
Nesse quadro de afastamento, aqui permaneceu encarcerado durante 9 anos por ordem de seu irmão (futuro D. Pedro II, 1648-1706) o rei D. Afonso VI (1643-1683), inacessível e guardado por 300 soldados. O monarca deposto acabaria por morrer em 1683, sempre acompanhado pelo fiel camareiro que, segundo a tradição dormia no pequeno cubículo comunicante com este quarto. A propósito deste quarto, o embaixador de Carlos II em Portugal comentava, que parecia ter sido escolhido "mais para enterro do que para habitação".
Nesta divisão encontra-se um dos pavimentos medievais mais antigos do Palácio e do país datando provavelmente da campanha de obras de c. 1430-1440), ainda do final do reinado de D. Duarte (1391-1438). O conjunto é composto por azulejos de corda-seca, de vários padrões, decorados com laçarias geométricas de estilo mudéjar, de produção sevilhana, alternando com barras de alicatados, em composição por certo local. Apesar de a tradição dizer que a usura do pavimento é devida ao caminhar constante do infeliz monarca entre o leito e a janela, a verdade é que este raro revestimento já tinha mais de dois séculos quando o rei aqui permaneceu preso e, de facto, o desgaste que atualmente apresenta é menor do que se esperaria de um pavimento com mais de cinco séculos.