‘Machico, terra de Abril’ promove reflexão sobre a Revolução, Centro Cívico Cultural e Social da Ribeira Seca, 23 de abril de 2026, Machico, ilha da Madeira
Categorias
Descrição
‘Machico, terra de Abril’ promove reflexão sobre a Revolução
Sob a imagem do padre Martins Júnior (1938-2025)
Comemorações dos 52 anos do 25 de Abril no concelho, promovidas pela Câmara Municipal e que tiveram início no dia 17 de abril de 2026.
Testemunhos de Diamantino Alturas, Assunção Bacanhim e Bernardo Martins
Centro Cívico Cultural e Social da Ribeira Seca, 23 de abril de 2026
Machico, ilha da Madeira
Lino Bernardo Calaça Martins (Machico, ) é doutor em Ilhas Atlânticas: História, Património e Quadro Jurídico-Institucional pela Universidade da Madeira (2023). Mestre em Estudos Regionais e Locais pela Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira (2016). Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1983). Professor do ensino secundário (1977-1979; 1983-1990). Secretário da Junta de Freguesia de Machico (1983-1985). Presidente da Junta de Freguesia de Machico (1986-1989 e 1994-1997). Membro da Assembleia Municipal de Machico (1986-1989 e 1994-1997). Vice-presidente da Câmara Municipal de Machico (1990-1993). Presidente da Câmara Municipal de Machico (1998-2001). Vereador da Câmara Municipal de Machico (2002-2009). Deputado da Assembleia Legislativa da Madeira (1992-1998 e 2002-2011). Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde e Assuntos Sociais (1997-1998; 2004-2011). Presidente da Comissão Parlamentar da Administração Pública, Trabalho (2003-2004). Vice-presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (2004-2005). Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (2005-2007).
Coordenador do livro Machico, a sua história e a sua gente, editado pelo Departamento de Iniciativas Culturais da Junta de Freguesia de Machico (1978). Autor da obra O 25 de Abril em Machico: Centro de Informação Popular de Machico, editado pela Câmara Municipal de Machico (2017). Proponente do "Prémio Literário Francisco Álvares de Nóbrega", criado pela Câmara Municipal de Machico (2001). Autor da exposição documental "Memórias do 25 de Abril no concelho de Machico" (2016). Preletor em diversas conferências e debates sobre a temática da "Revolução dos Cravos".
A 25 de julho de 2025, o autor seria galardoado pela Assembleia Legislativa da Madeira, que acolheu a cerimónia de entrega do Prémio Emanuel Rodrigues 2025, que distinguiu o historiador Lino Bernardo Calaça Martins pelo seu contributo para o conhecimento dos primórdios da autonomia regional. Instituído em 2020, o galardão pretende reconhecer personalidades que se destaquem na valorização da identidade madeirense através da produção académica, histórica, científica, artística ou jornalística. A decisão do júri, presidido por João Carlos Abreu, enalteceu a obra de Bernardo Martins como um “valioso contributo” para a dignificação do percurso autonómico e da memória coletiva dos madeirenses.
José Martins Júnior (Machico, 16 nov. 1938-idem, 12 jun. 2025) foi ordenado padre a 15 de agosto de 1962 na igreja matriz de Machico, celebrando a sua primeira no mesmo dia. Nomeado a 22 de junho de 1969 como pároco da Ribeira Seca, tornar-se-ia, a partir do 25 de abril de 1974 uma das figuras incontornáveis da política regional. Em 1967, fez uma comissão de dois anos em Moçambique, regressando à Madeira em 1969. Foi então nomeado pároco da recém-criada paróquia da Ribeira Seca e coadjutor da igreja matriz de Machico. Em 1975, presidiu a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Machico e, em 1976, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Regional, como independente, nas listas da UDP, lugar que acabou por ceder a um operário da construção civil e do que a UDP se veio a arrepender. Em 1977 foi suspenso "a divinis" pelo bispo D. Francisco Santana (1924-1982), em princípio, sem processo canónico formado. Em 1980, recandidatou-se e foi eleito deputado e em 1982 assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Machico. Em 1985, a igreja da Ribeira Seca foi tomada de assalto por 70 elementos da Polícia de Segurança Pública, então sob as ordens do comissário coronel Nuno Homem Costa, a pedido do governo e da diocese, já no episcopado do novo bispo do Funchal, D. Teodoro Faria (1930-2025). Nas eleições autárquicas de 1989, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Machico, cargo para o qual foi reeleito, cumprindo o segundo mandato até 1998. Em 1995, entretanto, recebeu do presidente da República Dr. Mário Soares (1924-2017) as insígnias de comendador da Ordem de Mérito e em 1997 foi eleito deputado independente, nas listas do PS, à Assembleia Legislativa Regional, onde permaneceu até 2007, quando deu por terminada a atividade política. Em julho de 2009 ainda teve de responder no tribunal da comarca de Santa Cruz, num processo interposto pelo Governo Regional, pela acusação de "exercício ilegal de sacerdócio", mas de que viria a ser absolvido, só se resolvendo o diferendo com o novo bispo do Funchal, D. Nuno Brás da Silva Martins (1963-), que visita oficialmente a paróquia a 14 jul. 2019. O padre Martins Júnior continuou a exercer o sacerdócio "em consonância com o povo de Deus da Ribeira Seca", como costumava afirmar, numa igreja e residência erguidas pela população local, onde haveria de falecer aos 86 anos.