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Arquipelago de Origem:
Guimarães
Data da Peça:
0800-00-00
Data de Publicação:
19/04/2026
Autor:
Ourives da Idade do Bronze
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-19
Proprietário da Peça:
Museu Nacioonal de Arqueologia
Proprietário da Imagem:
Museu Nacioonal de Arqueologia
Autor da Imagem:
Museu Nacioonal de Arqueologia
Pulseira de Cantonha, Guimarães, 800 a. C. (c.), Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Bracelete de ouro.
    Ouro, 350; comp. 65; larg. 5 mm. Peso – 145 g.
    Pulseira de Cantonha, Guimarães,  800 a. C. (c.)
    Coleção de Ourivesaria Arcaica (Au 193) do Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, Portugal.
    Pub. por Virgílio Correia, Rui Parreira e Armando Coelho Ferreira da Silva, Ourivesaria Arcaica em Portugal - O Brilho do Poder, Lisboa, CTTs, 2013, Portugal

    Esta obra das coleções de ourivesaria arcaica portuguesa, de autoria repartida entre o Dr. Virgílio Correia (1888-1944), o Dr. Rui Parreira (1954-) e o professor Dr. Armando Coelho Ferreira da Silva (1943-), diz respeito ao estudo de conservação e restauro das obras desta área que são Tesouro Nacional. Destacam-se os braceletes, as arrecadas e os torques executados com técnicas de decoração de uma riqueza e detalhe, que o transformam, sem qualquer dúvida, num dos melhores tesouros mundiais de ourivesaria de qualquer época.
    No ano de 1933 foi encontrado no lugar de Souto Escuro, freguesia da Costa, Cantonha, Guimarães, um conjunto de cinco joias em ouro, acidentalmente descoberto por um grupo de três pedreiros que ali trabalhavam. Segundo o relato emotivo que nos deixou Mário Cardozo (1937), as joias foram encontradas no decorrer de trabalhos de extração de pedra, e estariam no interior de um vaso cerâmico depositado no sopé de um grande batólito bem destacado pela configuração cónica do seu lado superior. O vaso foi de imediato destruído pelos achadores, mas pela descrição a vasilha, que foi posteriormente destruída, seria enquadrável nas produções cerâmicas do "tipo Penha", ajuizando pela forma e decoração.  Mais tarde, os mesmos pedreiros venderam as peças numa taberna no centro de Guimarães, cujo dono, por sua vez, as vendeu a um ourives desta cidade. Três das peças terão sido fundidas pelo próprio ourives, e as outras duas foram vendidas a um ourives do Porto. Uma destas, segundo se presume, será aquela que foi adquirida em 1935 pelo Museu nacional de Arqueologia, graças aos bons ofícios do seu diretor, Manuel Heleno. Deste conjunto apenas uma das peças sobreviveu até hoje, encontrando-se depositada no Museu Nacional de Arqueologia, como o número de inventário AU193. Trata-se de um bracelete em ouro, produzido através da fundição em molde de cera perdida, sendo posteriormente trabalhado por martelagem e soldadadura. É um bracelete tubular, elipsoidal, compósito e aberto com as pontas afastadas. Os seus elementos constituintes são dois aros maciços que apresentam uma decoração geométrica e que rodeiam uma placa com decoração moldada e de arame soldado. A decoração dos dois aros apenas se encontra na face exterior, estando bem demarcada da face interior por uma linha incisa horizontal, sendo composta por um conjunto de sete faixas com outras tantas linhas verticais intercaladas com quatro faixas de losangos e duas faixas de triângulos contrapostos. Os aros apresentam uma forma circular, estreitando gradualmente para as extremidades que são rematadas por terminais de forma campanular.
    Ainda segundo as descrições colhidas por Mário Cardozo (1937), este conjunto seria composto por três braceletes e dois diademas, segundo um dos ourives inquirido, ou por quatro braceletes e um diadema, segundo a versão dos pedreiros que encontraram as joias. Ainda segundo estes informantes, os restantes braceletes seriam aros maciços de ouro, aparentemente sem qualquer motivo decorativo. Já a descrição do diadema varia um pouco: segundo o ourives seria um peça muito fina, com cerca de 20 a 25 cm de comprimento e 4 cm de altura, com as extremidades arredondadas e com um pequeno furo em cada uma “nas pontas continha, como decoração, uns pequenos vasados, de forma retangular, praticados no sentido longitudinal da peça, e paralelos entre si” (Cardozo, 1937), enquanto que os pedreiros o descreveram como tendo cerca de 22 cm de comprimento por 11cm de altura, e uma decoração em espinha.