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Arquipelago de Origem:
Guarda
Data da Peça:
1938-00-00
Data de Publicação:
18/04/2026
Autor:
Canto da Maya
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-18
Proprietário da Peça:
Museu da Guarda
Proprietário da Imagem:
Museu da Guarda
Autor da Imagem:
Museu da Guarda
Sereia, gesso patinado de Canto da Maia, 1938 a 1940, Museu da Guarda, Portugal

Categorias
    Descrição
    Sereia
    Gesso patinado, 155 x 53 x 45 cm.
    Canto da Maya (Ernesto do Canto Faria e Maia, 1890-1981), Lisboa, 1938 a 1940.
    Figura híbrida, com membros superiores de mulher e membros inferiores de peixe, deitada de barriga para cima, com os braços estão estendidos para cima, o direito repousa à volta cabeça enquanto o esquerdo se eleva ao nível do queixo. Tem longos cabelos ondulados. A parte inferior é constituída por duas caudas. A cauda esquerda contorce-se para cima da direita. Toda a figura assenta em pequena base retangular.
    Tudo leva a crer que tenha sido o molde inicial que serviu para a realização de uma série de pelo menos doze peças em terracota, entre 1938 e 1940. Em junho de 2001 após investigação do Museu da Guarda no Arquivo da Câmara Municipal da Guarda foi encontrada uma carta datada de 7 de março de 1941, dirigida ao Dr. José de Almeida e assinada por Maria Eduarda Lapa (1895-1976). Foi através da intervenção desta última, Eduarda Lapa, que as esculturas de Canto da Maia e de Anjos Teixeira foram incorporadas no acervo do Museu. (Existe cópia da carta em cada um dos processos individuais). "Canto da Maya, escultor português com aprendizagem parisiense, realizou duas estátuas de Sereia, diferentes na pose e na atitude. Uma deitada, em atitude de lascivo abandono, e executada quando o escultor residia ainda em França, foi apreciada pelo público lisboeta na 35ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1938. A versão em gesso patinado, que serviu talvez de molde para uma série de peças em terracota, faz hoje parte do acervo do Museu da Guarda", in "A Arte e o Mar" Cristina Azevedo Tavares, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 1988.
    Museu da Guarda (Inv. 94), Guarda, Portugal.

    Ernesto do Canto Faria e Maia ou somente Canto da Maya (Ponta Delgada, Açores, 1890 – ibidem, 1981) desenvolveu a sua formação artística em Lisboa, Paris, Genebra e Madrid, e a carreira mais consagrada e internacional de um escultor português na primeira metade do século, destacando-se entre os percursores do modernismo figurativo com uma original estética decorativista. Entre Paris e Lisboa, cria esculturas – grandes conjuntos, figurinhas de terracota ou gesso, bustos, baixos-relevos, figuras metafóricas dos ciclos da vida ou da feminidade – cuja expressividade anatómica e idealidade poética foi muito premiada, e escolhida para representar a arte francesa (Tóquio e Osaka, 1926), e Portugal, em várias exposições universais (Paris, 1937; Nova Iorque, S. Francisco, 1939) e na Bienal de S. Paulo (1957). Desempenhou também um papel central na exploração da art déco, colaborando em projetos com célebres arquitetos. Uma viragem a meio da carreira leva-o da pioneira reinvenção da escultura figurativa ao academismo nacionalista, em longa campanha oficial de esculturas monumentais destinadas a enaltecer a propaganda patriótica do Estado Novo, que lhe atribui o Grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1941). Apesar de diferentes fases e faces, a obra de Canto da Maya continua a atrair sucessivas homenagens e retrospetivas desde a década de 30, em Portugal e França.