Vivian Girls as Windmills, acrílico de Paula Rego, Londres, 1984, CAM da Fundação Gulbenkian, Lisboa, Portugal
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As Raparigas Vivian como Moinhos de Vento
Acrílico sobre tela, 242 x 179 cm.
Paula Rego (1935-2022), 1984.
O primeiro contacto de Paula Rego com as Vivian Girls ocorreu numa exposição em 1979, em Londres. Os desenhos ilustrados do romance de início do século XX de Henry Darger (1892-1973), The Realms of the Unreal, fascinaram-na de tal forma que decidiu pintar várias cenas da vida dessas personagens. A saga conta-nos as várias façanhas de um bando de raparigas que consegue dar a volta a soldados malvados. Paula Rego diz que as raparigas Vivian foram escravizadas pelo mundo adulto mas conseguiram lutar em sua defesa: "são as heroínas e as escravas das minhas histórias".
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (86P589), Lisboa, Portugal.
Tendo estudado em Londres, Paula Figueiroa Rego (Lisboa, 26 jan. 1935; Londres, 8 jun. 2022) tomou muito cedo conhecimento de certos movimentos de síntese surgidos após o informalismo. A génese da nova figuração da Paula derivou do informalismo e mediante a extraordinária capacidade de livre associação de imagens. No início dos anos 60, o expressionismo e o surrealismo deram à pintora uma distanciação em relação à escrita frígida da pop, movimento que lhe interessou, porém, pela fixação do novo ambiente urbano e pela reintrodução da narratividade. A sua temática mais frequente relaciona-se com a vida infantil, com os seus terrores, crueldades, fantasias e humor (Pedro Dias, 1986).
Na década de 80 a artista encontra uma linguagem visual radicalmente nova para contar as suas histórias, criando um universo ambíguo e complexo de interação entre humanos, animais, vegetais e híbridos. Estas criaturas encantadas são os atores deste caleidoscópico de aventuras luxuriantes, onde impera a desordem. As obras são realizadas numa escala panorâmica e multidimensional, através de um processo criativo rápido, contínuo e fluido, num equilíbrio entre a multiplicidade de personagens e de subenredos e a totalidade da composição. O seu traço não apresenta hesitações e as personagens, humanas e animais, são fisionomicamente intuídas pelo seu preciso sentido de observação. É como diz Paula Rego: são bichos que parecem pessoas e pessoas que parecem bichos- dizendo não saber o que vem primeiro. O desenho puxa o boneco e, assim, os desenhos vão aparecendo no pincel… começo com um gesto, o resto do bicho vem atrás. Uma parte destes trabalhos esteve exposto em 2017 na Casa das História de Paula Rego, em Cascais.