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Arquipelago de Origem:
Lunda e Leste
Data da Peça:
1960-00-00
Data de Publicação:
08/04/2026
Autor:
Escultor Nyaneka-Humbi e Herero
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-08
Proprietário da Peça:
Museu Nacional de Etnologia
Proprietário da Imagem:
Museu Nacional de Etnologia
Autor da Imagem:
Victor Oliveira
Bonecas de carolo de milho, grupo Nyaneka-humbi e Herero do sudoeste de Angola, 1960 (c.), Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Bonecas do sudoeste de Angola
    Montagem a partir de uma massaroca ou carolo de milho com panos vários.
    Grupo Nyaneka-humbi e Herrero do sudoeste de Angola, 1960 (c.)
    Existem dezanove bonecas deste tipo provenientes dos dois grupos etnolinguísticos nyaneka-humbi e herero (sendo também possível estabelecer relações de afinidades com outros grupos culturais não representados na coleção). No seu estudo sobre o grupo etnolinguístico nyaneka-humbi, Alphonse Lang, um missionário nos princípios do século XX, referencia estas bonecas: “[u]m carolo de milho vestido como elas [meninas] faz a vez de boneca. Dependendo das estações, as fibras disponíveis ou as barbas do milho formam a sua cabeleira. Esta boneca é carregada sobre as costas, tal como uma criança de peito. Entre companheiras, elas emprestam-nas e recebem-nas com um pequeno presente. Quem toma a boneca nas mãos, mesmo só para olhá-la, deve devolvê-la com uma prenda” (Lang, 1938: 23).
    Recolha António Carreira (Cabo Verde, Fogo, 1905-1988), em Angola, 1960 (c.).
    Secção A brincar e já a sério. Bonecas do sudoeste angolano.
    Montagem O museu, muitas coisas, 2015 (c.).
    Fotografia de Victor Oliveira, 2020.
    Museu Nacional de Etnologia, Restelo, Lisboa, Portugal.

    A coleção integra o núcleo «A Brincar e Já a Sério. Bonecas do Sudoeste de Angola» da exposição permanente do Museu Nacional de Etnologia O museu, muitas coisas. Trata-se de uma coleção constituída por oitenta e três bonecas diferentes (18 kwanyama okana; 2 kwanyama corpo; 19 Carolo de milho; 42 Tronco; 2 Mwila barro) resultantes de diversos grupos culturais e que foi estudada em fevereiro de 2015 por Inês Ponte. As bonecas desta região começaram a ser recolhidas, numa fase inicial, por missionários, administradores, exploradores, aventureiros e, posteriormente, por etnógrafos treinados e antropólogos. São assinaladas por uma esfera feminina, infantil e ritual, sendo que algumas são amuletos de fecundidade, usadas por mulheres e raparigas em busca da concretização da maternidade, e outras são brinquedos de menina, relacionando-se, de certa forma, com as congéneres e míticas Akua-Ba do Golfo da Guiné. Refira-se que a «designação dada a cada tipo de boneca tomou como critério inicial a sua imediata identificação, tendo sido posteriormente enriquecida com a informação adquirida sobre elas».
    O Museu Nacional de Etnologia foi criado pelo grupo de trabalho de Jorge Dias (1907-1973) e Margot Dias (1908-2001), Fernando Galhano (1904-1995), Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) e Benjamim Enes Pereira (1928-2020), primeiro, na Universidade do Porto e no Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, fundado em 1945 por António Mendes Corrêa (1888-1960), passando depois à Universidade de Coimbra, onde Jorge Dias leciona entre 1952 e 1956, e neste último ano, a Lisboa, onde se fixa, passando a lecionar no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e na Faculdade de Letras. Foi este grupo, a partir de 1962, que foi responsável pela montagem, primeiro, do Museu de Etnologia do Ultramar, mas a partir de 1965, Museu Nacional de Etnologia, construído, depois, em 1976, por coincidência, na Avenida da Ilha da Madeira, com projeto do arquiteto António Saragga Seabra (). O acervo do museu é vasto e diversificado, contando com cerca de 42.000 peças representativas de 80 países dos cinco continentes, com especial destaque para culturas africanas, asiáticas e ameríndias, bem como para a cultura tradicional portuguesa.