Image
Arquipelago de Origem:
Campanário
Data da Peça:
2021-00-00
Data de Publicação:
11/02/2026
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2026-02-11
Proprietário da Peça:
Vários
Proprietário da Imagem:
Privado
Autor da Imagem:
Privado
Freguesia do Campanário. 2021, Ribeira Brava, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Freguesia do Campanário.
    Fotografia de 2021.
    Campanário, Ribeira Brava, ilha da Madeira.

    O topónimo Campanário poderá ser explicado pela existência de um pequeno ilhéu, junto à costa desta localidade, que, aos primeiros povoadores, fez lembrar uma torre sineira, vindo a ser denominado de Rocha do Campanário ou, simplesmente, Campanário. Segundo João de Freitas Drumond (1760-1825), foi-lhe dado esse nome pois parecia «uma sineira por ter duas altas pernadas, uma das quais o mar derrubou no primeiro de novembro de 1798».
    Não se conhece a data da fundação da paróquia do Campanário, mas existia já em 1518, tendo como orago São Brás e, nesse ano, era seu vigário o padre João Barroso. Antes de ser paróquia, esta povoação tinha um capelão que auferia 6000 rs. de mantimento, por ano, como ficou registado nas contas de 1509. Em 1532, procedeu-se à reconstrução da Igreja de São Brás, na Ribeira dos Melões, visto a mesma ter desabado. No sítio digital da Junta de Freguesia do Campanário afirma-se, sem qualquer fundamentação histórica, que a freguesia foi fundada em 15 de maio de 1515. A sagração da atual igreja, com projeto do arquiteto João Filipe Vaz Martins (1910-1988), ocorreu em 15 de dezembro de 1963. Substituiu o antigo templo que, no frontispício, tinha inscrito o ano de 1683, data que corresponde à sua reedificação. Foi demolido na década de 50 do século XX, no decurso da construção da nova igreja, tendo o primitivo portal de inspiração manuelina, por certo, da reconstrução de 1532, sido desmontado e remontado, depois, na antiga Alfândega do Funchal, em 1970 e desmontado novamente nas obras de reabilitação de 1985 a 1987, data em que foi entregue da freguesia do Campanário.
    No Campanário dos finais do século XVI, segundo Gaspar Frutuoso, predominavam «terras de criações e lavoura de trigo e centeio, por ser gente montanhesa, dados mais a criar gado que a cultivar vinhas, nem outras fruteiras» (1584, cap. XVII). A falta de água para irrigação das terras era, por certo, uma condicionante da atividade agrícola. O Feiticeiro do Norte (Manuel Gonçalves, 1858-1927) dedicou uma quadra ao Campanário, na qual sobressai a paisagem agrícola desta freguesia: «Campanário é muito seco / mas dá vinho primoroso / pêssegos, fruta de leite / o perinho saboroso
    Como bem escreveu Raimundo Quintal: «Na segunda metade do século XIX e especialmente nas décadas de cinquenta e sessenta do século XX, a cordilheira central foi perfurada. A água trazida do Norte, na escuridão de extensos túneis e em aquedutos riscados nos abismos, mudou a paisagem de vastas áreas que desde sempre foram palco da agricultura de sequeiro. Campanário, Quinta Grande, Estreito e Câmara de Lobos verdejaram com a água da Levada do Norte.» (2011, p. 141). A levada do Norte foi construída entre 1947 e 1952.
    Grande parte da ação do romance ‘Deus na escuridão’, de Valter Hugo Mãe, publicado em 2024, decorre no Campanário. Nelson Veríssimo, “Campanário” in Freguesias da Madeira, 5 out. 2025