Ladeira dos Zimbreiros sobre o Paúl do Mar, 2026, Lombo de São Lourenço, Fajã da Ovelha, Calheta, ilha da Madeira,
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Descrição
Ladeira dos Zimbreiros sobre o Paúl do Mar.
Área do antigo Fio de Carga da fábrica de manteiga Águia de Pedro Augusto de Gouveia (1882-1967)
Fotografia de Anabela Gomes, 2026
Lombo de São Lourenço, Fajã da Ovelha, Calheta, ilha da Madeira.
Fajã da Ovelha, indica uma extensão de terreno plano de material geológico desprendido e a criação de gado ovino na localidade. É topónimo documentado, pelo menos, desde 1501 e, nos anos seguintes do primeiro quartel do século XVI, quando das estimativas da produção de açúcar. Pela Fajã da Ovelha, entre 27 e 30 de dezembro de 1921, passou o ex-imperador da Áustria e ex-rei da Hungria, Carlos (1887-1922), obrigado a exilar-se na Madeira, após ter tentado retomar o poder na Hungria. Foi de automóvel até à Ribeira Brava. Aqui embarcou no vapor costeiro «Vitória». Desembarcou no Paul do Mar e foi transportado numa rede até à Fajã da Ovelha. Com António Vieira de Castro (1900-1933) e Gabriel Bianchi, o ex-imperador participou numa caçada. Visitou também as freguesias das Achadas da Cruz e da Ponta do Pargo, na companhia de Pedro Augusto de Gouveia (1882-1967). Ficou hospedado na casa de Augusto César de Gouveia (1856-1922). Augusto César de Gouveia desempenhou funções políticas no Município da Calheta, no tempo da Monarquia. Pertencia ao Partido Regenerador. Era também um proprietário abastado e industrial da freguesia, nas áreas da moagem, panificação e serração de madeiras.
O seu filho, Pedro Augusto de Gouveia, distinguiu-se como autarca, na Calheta e no Funchal, e foi presidente do Club Sport Marítimo nos anos de 1917-1921, mas ficou conhecido como industrial de laticínios. Fundou uma fábrica de manteiga no Lombo de São Lourenço, licenciada em 1917. Situada num prédio industrial, a produção de manteiga era feita no primeiro piso, enquanto no segundo estavam instalados moinhos acionados por força hidroelétrica, um de fabrico alemão e outro austríaco. A produção anual de farinha variava entre os 40 000 e os 100 000 kg. Comercializada como «Manteiga Águia» era vendida no Funchal e exportada para o Continente e colónias. As embalagens eram transportadas, por carretas, até à Ladeira dos Zimbreiros, e daqui, através de um «fio de carga», até ao Paul do Mar, de onde seguia para o Funchal, por via marítima. A Fábrica da Manteiga deixou de funcionar no início da década de 60 do século passado. Em 1974, foi vendida a um cidadão estrangeiro e hoje diz-se ser propriedade de uma instituição bancária ou grupo financeiro. Entretanto, em 2002, o imóvel foi classificado como Património de interesse municipal. Falou-se na sua recuperação e na criação de um espaço museológico. Foi delineado um projeto arquitetónico de reabilitação em 2010. Mas nada avançou, a não ser o lume, em outubro de 2023, que destruiu o vetusto prédio industrial.
Cronologia da fábrica de manteiga Águia.
Séc. 19, 2ª metade - construção do inicial edifício por Augusto César de Gouveia (1856-1922); 1917 - reconstrução do anterior edifício com o licenciamento da fábrica; 1960 (c.) - encerramento da fábrica; 1974 - comprada por Paul Clasgaus Kunkel Júnior; 2002 - classificação como de interesse municipal pela câmara municipal da Calheta com a ideia de ali se vir a instalar uma unidade museológica industrial; 2023, 11 a 13 out. - grande incêndio na área, só tendo ficado as paredes da antiga fábrica;
Adaptação do texto de Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Fajã da Ovelha”, Funchal Notícias.net, 25 jan. 2026.