Visita do Arquiduque Otão de Habsburgo, "Jornal da Madeira", Funchal, 28 de abril de 1974, p. 3, ilha da Madeira.
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Descrição
Visita do Arquiduque Otão de Habsburgo.
(1912-2011)
Informação de estar acompanhado do seu secretário particular Dr. D. Marcus de Noronha da Costa (1940-) tendo estado ambos em São Lourenço para cumprimentar o Almirante Américo Thomás e o Prof. Marcello Caetano
Jornal da Madeira, direção de Abel Augusto da Silva (1924-1976), Funchal, 28 de abril de 1974, p. 3.
Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, JM, Funchal, ilha da Madeira.
O arquiduque Otto (ou Otão) de Habsburgo (Reichenau an der Rax, Viena, 20 nov. 1912; Pocking, Baviera, 4 jul. 2011) era o chefe da casa dinástica de Habsburgo e o filho mais velho de Carlos da Áustria (Habsburgo-Lorena; Viena, 17 ago. 1887; Funchal, Monte, 1 abr. 1922), último Imperador da Áustria e último Rei da Hungria, e de sua esposa, Zita de Bragança Bourbon-Parma (Lucca, 9 maio 1892; 14 mar. 1989), filha do duque de Parma e da princesa Maria Antónia de Portugal, logo, neta de D. Miguel de Portugal. Foi membro do Parlamento Europeu pelo partido União Social Cristã da Baviera (CSU) e presidente da União Internacional Pan-Européia. Em nov. 1916, Otto tornou-se príncipe-herdeiro do Império Austro-Húngaro quando seu pai, o arquiduque Carlos de Áustria, ascendeu ao trono, sendo coroado em Budapeste, em 30 dezembro de 1916. Entretanto, em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, ambas as monarquias foram abolidas e substituídas pelas repúblicas da Áustria e da Hungria, e a família imperial foi forçada ao exílio, apesar de Carlos nunca ter abdicado do trono, tendo o parlamento austríaco oficialmente expulsado a dinastia Habsburgo e confiscado todas as propriedades da Coroa Imperial pelo ato Habsburgergesetz de 3 abr. 1919. A família Imperial passou os anos seguintes na Suíça e, mais tarde, mudou-se para a ilha da Madeira, onde o ex-imperador Carlos de Áustria veio a falecer prematuramente em 1922. Com isso, e apenas aos dez anos de idade, o arquiduque Otto von Habsburgo passou a ser o pretendente ao trono, situação que permaneceu até falecer, embora abdicando por razões práticas, como referiu e políticas, em maio 1961. Em 1935, Otto tinha-se graduado em Ciência Política e Ciências Sociais pela Universidade Católica de Leuven e, em 1940. Entretanto, ainda chegara a ter tido possibilidades de recuperar algum dos tronos de seu pai, mas a sua cidadania foi-lhe retirada por Adolfo Hitler (1889-1945), em 1941, tornando-o apátrida, sendo salvo pelo cônsul português Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), que lhe passou passaporte português, tal como aos restantes membros da família, possibilitando-lhes chegar à América do Norte. Regressado à Europa, casou em 1951 com a princesa Regina de Saxe-Meiningen (1925-2010), havendo uma descendência de sete filhos e 22 netos. Foi membro do Parlamento Europeu eleito deputado pelo partido União Cristã da Baviera (CSU) em 1979, cargo que ocupou durante vinte anos, até 1999 e presidente da União Internacional Pan-Europeia. O seu funeral ocorreu em Viena de Áustria com honras de Estado, na Saint Stephans Cathedral, a 16 jul. 2011, ficando depositado o corpo na cripta do convento dos Capuchinhos e, em Budapeste, abadia Beneditina de Pannonhalma, onde ficou o coroação, reunindo os membros de governo e os representantes das principais casas reais europeias.