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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1975-08-06
Data de Publicação:
23/12/2025
Autor:
Jornal da Madeira
Chegada ao Arquipélago:
2025-12-23
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
ABM
Autor da Imagem:
Jornal da Madeira e ABM
Pedido de exoneração da Junta de Planeamento, "Jornal da Madeira", Funchal, 6 de agosto de 1975, p. 1, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    A Junta de Planeamento da Madeira pediu a sua exoneração ao Governo
    Major José Manuel Faria Leal (1936-2015), ex-padre Paquete de Oliveira (1936-2016), brigadeiro Carlos de Azeredo (1930-2021), Dr. João Abel de Freitas (1942-) e prof. Virgílio Pereira (1941-2021), sala do Comando Militar da Madeira.
    A Junta alegou a "situação local tendente a agudizar-se", ou seja, o aumento da atividade separatista.
    Jornal da Madeira, direção de Alberto João Jardim (1943-), Funchal, 6 de agosto de 1975, p. 1.
    Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, JM, Funchal, ilha da Madeira.

    Carlos Manuel de Azeredo Pinto Melo e Leme (Marco de Canaveses, 4 out. 1930; Porto, 12 ago. 2021). Oriundo da antiga aristocracia nortenha e filho do genealogista Francisco Carlos de Azeredo Melo e Leme (1900-1988), cumprira várias comissões de serviço militar no antigo Estado Português da Índia, em Cabinda, em Angola e na Guiné, onde trabalhara com o general António de Spínola (1910-1996). Tendo vindo para o Funchal na sequência da manifestação de 1 de Maio 1974, depois do envio dos antigos governantes para o Brasil e com a nomeação do novo governador civil Dr. Fernando Rebelo (1919-2003), regressou ao continente, fixando-se no Porto. A situação na Madeira viria a degradar-se nos meses seguintes, havendo a perceção de que não seria possível a montagem das primeiras eleições democráticas, pedindo-se em agosto ao coronel Carlos Fabião (1930-2006), chefe do estado-maior do Exército o regresso de Azeredo, que estaria na Madeira até 1976. Depois da sua longa comissão de serviço na Madeira ainda desempenharia o lugar de chefe da casa militar do presidente da República, Dr. Mário Soares (1924-2017). Tendo-se, entretanto, reformado, passou a dedicar-se à historiografia militar do norte de Portugal, tendo editado vários títulos, assim como um autobiográfico, Trabalhos e dias de um soldado do Império, Porto, Civilização, 2004, onde aborda sumariamente a sua passagem pela Madeira. Em 1997, no entanto, ainda assumiria uma coligação do PSD e CDS para as eleições para a Câmara Municipal do Porto, mas onde sairia derrotado.
    José Manuel Paquete de Oliveira, conhecido como provedor do telespectador (RTP) e do leitor (Público), nasceu a 20 de outubro de 1936, no Funchal, falecendo em Lisboa, a 11 de junho de 2016. Ainda na Madeira, deu os primeiros passos na vida eclesiástica – foi ordenado sacerdote – sem nunca deixar fugir o jornalismo. Dizia ter andado sempre "perto de jornais, rádio, televisão – umas vezes por dentro, outras por fora". Quando Vicente Jorge Silva o conheceu, Paquete de Oliveira era padre e chefe de redação do Jornal da Madeira, um periódico da Igreja, e já defendia a liberdade de expressão: "Ficou zangado quando soube que me tinham proibido de escrever. Tinham feito queixa ao bispo por eu ser menor", relata Vicente Jorge Silva. Terão sido estes e outros constrangimentos que o levaram a abandonar o sacerdócio. Antes, ainda como padre, licenciou-se em Ciências Sociais – ramo de sociologia –, na Universidade Gregoriana PUG, de Roma. O curso ainda não existia em Portugal. De volta ao País, e já desvinculado da Igreja, dirigiu o Diário de Notícias da Madeira. Estávamos em pleno PREC (Período Revolucionário em Curso) e Paquete de Oliveira chegou a ser considerado um "perigoso comunista", como contou mais tarde (tendo estado 20 anos sem pisar à Madeira, sua terra natal). Doutorou-se em 1989 com uma tese então invulgar entre sociólogos: Formas de "censura oculta" na imprensa escrita em Portugal no pós 25 de Abril (1974-1987). Continuou no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) e embrenhou-se no meio académico. Aí lançou e coordenou o Mestrado em "Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação". "Presidente do Conselho Directivo e, depois, vice-presidente, Paquete de Oliveira era o ISCTE. E o ISCTE era Paquete de Oliveira", escreveu José Rebelo, amigo e vizinho de gabinete de Paquete, no jornal Público. Em 79 anos de vida, colaborou com vários órgãos de comunicação, entre os quais o Diário de Lisboa, o Comércio do Funchal, o Expresso, a RTP e a SIC. Mas o mais importante sempre foi a família. "Falava devagar sobre os filhos, como se ali estivesse o essencial da vida", recorda Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho. "Quando ele vinha a Braga, levava-o muitas vezes ao comboio e mencionava sempre os filhos." Sabia, desde Outubro, que o fim estava próximo – o cancro tornara-se galopante. Continuava, porém, com a mesma calma e ponderação com que vivia, diz José Rebelo. Na véspera da sua morte, demitiu-se do cargo de provedor do leitor do Público, que exercia desde dezembro de 2013. E, antes de perder a vida, no sábado dia 11, deixou pistas para o seu obituário, apesar de ter "horror" a autobiografias. "Fisicamente, morre-se uma única vez; socialmente, podemos morrer e nascer várias vezes". (Ana Catarina André, in Sábado.pt, on-line, “Obituário”, 16.06.2016)
    José Manuel dos Santos de Faria Leal (1936-2015). Proveniente do corpo de estado-maior do EME, onde ingressara a 02 ago. 73, foi colocado no Funchal como CEM/QG-CTIM, a 23 jan. 74, já então ligado ao Movimento das Forças Armadas, assumindo a liderança dos capitães da Madeira no 25 de Abril e assinando, no dia seguinte, o auto de receção dos ex-membros do governo. Regressaria a Lisboa pouco depois, a 9 ago. 74 ficando colocado no EME,  e sendo transferido para o EMGFA, a 18 out. No ano seguinte, no entanto, face ao agudizar da situação na Madeira, regressa ao Funchal, sendo colocado no CTIM, a 4 mar. 75 e então, tal como outros militares, alvo dos comunicados de expulsão da FLAMA. Voltaria a Lisboa, sendo colocado como chefe-de-gabinete do secretário de Estado das Obras Públicas, a 11 out. 75 e, como brigadeiro, entre 1990-93, seria diretor do Serviço de Transportes do Exército e, em 1995, 2.º comandante do Governo Militar de Lisboa. No ano seguinte, como general, seria chefe da Casa Militar da Presidência da República, nos mandatos de presidente do Dr. Jorge Sampaio (18 set. 1939-10 set. 2021), entre 1996-2006. Faleceu em Lisboa a 6 jun. 2015.
    Virgílio Higino Gonçalves Pereira (Funchal, 11 jan. 1941; 23 jul. 2021). Professor da Escola Industrial e Comercial António Augusto de Aguiar era, desde 3 out. 1974, presidente da comissão administrativa da CMF, lugar que por eleição voltaria a ocupar entre 4 jan. 1977 e 3 jan. 1983, ainda deputado à Assembleia da República de 31 maio 1983 a 1 jan. 1986 e ao Parlamento Europeu, entre 1 jan. 1986 e 10 jan. 1994, voltando a presidente da CMF entre 7 jan. 1994 e 30 set. 1994, passando ainda pela presidência da Junta Autónoma dos Portos e do IBTAM.