Interior do núcleo museológico do Forte de São Filipe do largo do Pelourinho.
Escavação dirigida pelo arqueólogo Daniel Sousa (2011 a 2022) e núcleo arqueológico remontado em 2023 na sequência das obras do Savoy Residence.
Projeto do Atelier RH+ ARQUITECTOS, parceria entre Roberto Castro, Hugo Gil Jesus, Cristina Perdigão e outros, 2018 (c.).
Fotografia de Hélder Santos, Aspress/DN Funchal, 27 de outubro de 2025.
O presidente do Governo Regional salientou na ocasião o carácter da Madeira como uma terra cosmopolita, aberta ao comércio e a parcerias com outros povos, já desde os tempos dourados da indústria da cana-de-açúcar. Palavras proferidas na abertura hoje ao público do núcleo museológico de São Filipe, no Largo do Pelourinho, na zona das ruínas da Fortaleza. Assim o comprovam, apontou, as peças descobertas com origem em vários países do mundo. A Madeira, sublinhou, foi um ponto estratégico para a expansão portuguesa. O governante visitou hoje as obras do núcleo museológico do Forte de São Filipe, concluídos que estão, agora, os trabalhos e a recolha e recuperação das peças arqueológicas, um labor que demorou cerca de 10 anos a concretizar-se, conforme sublinha a página do Governo Regional na rede social Facebook. O investimento, sublinhou Albuquerque, é de 3,5 milhões de euros e servirá ainda de ponto de partida para a criação, no Forte de São Tiago, do Museu de Arqueologia, onde ficarão expostas diversas peças arqueológicas da história, da etnografia e dos costumes madeirenses, acrescentou.
Largo do Pelourinho, Funchal, ilha da Madeira.
Cronologia do Forte de São Filipe:
1572:
Regimento de Fortificação determinando a Mateus Fernandes a construção de uma muralha ao longo da Ribeira de João Gomes e a construção de "
estância" na foz da ribeira e na muralha da frente mar, "
no calhau, junto de Nossa Senhora, abaixo da ponte da parte da cidade", "
para dela se guardar o lanço do muro da fortaleza que ora está feita" (São Lourenço) "
e do través que a dita fortaleza tem da parte do mar, junto do cubelo grande." Deveriam ter os muros "
vinte palmos" (4 metros), "
pera por cima deles se poder atirar ao mar e jogar artilharia pela barba". Se houvesse necessidade de bombardeiras para qualquer parte da fortificação, dever-se-iam fazer, com "
suas mantas, para cobrirem e guardarem aos que com a artilharia atirarem";
1574: tomada de casas junto à ponte de Nossa Senhora do Calhau para a construção da fortaleza;
1578, 11 jul.; testamento de António Álvares, por alcunha
o Nordeste, deixando umas casas à mulher, onde viviam, junto a Nossa Senhora do calhau, "
que se desmancharem por causa da fortaleza, o provedor, com o dinheiro delas, comprará outra propriedade";
1581, verão; chegada de D. Agustin de Herrera, conde de Lanzarote com 200 milicianos das Canárias e alguns artilheiros alemães, aquartelados em São Lourenço, sob o comando do capitão Luís Melo, despachando-se a guarnição que estava em São Lourenço para a fortaleza nova, que fica comandada pelo capitão maiorquino Juan León Cabrera;
1581, out.; informação do capitão Luís Melo dada em Lisboa a D. Francés de Alava da situação da Madeira e do Funchal, fornecendo desenhos com a nova fortaleza pronta e artilhada;
1583, 5 jan.: testamento do oleiro Gaspar Fernandes e de sua mulher Margarida Lopes, servindo de testemunha o ourives Francisco Diniz, citando-se que viviam numas casas "
junto à ponte de São Cidrão e que entestavam com os muros da fortaleza nova da banda do mar".
1609; obras na área da fortaleza, nos "
muros da Tintureira", onde trabalhavam João Falcato e Bartolomeu João, filhos do mestre-das-obras reais Jerónimo Jorge;
1622: era condestável da fortaleza Francisco Anes, que assim se identifica na compra de uma terras de pão e pomar, em N.ª S.ª da Graça, na Calheta, feita pelo castelhano Andreas de Montemayor, condestável da "
Fortaleza Velha", ou seja São Lourenço;
1641, 22 mar.; posse de Manuel Soares Pinheiro como condestável da "
fortaleza Nova da Praia";
1642; obras várias de manutenção, em junho, pagando-se tábua e meia de pinho para cobrir as selhas da pólvora, assim como pagou $050 réis a 2 pretos que lavaram a praça da artilharia; em setembro, outros pagamentos para os reparos dos falcões; em outubro, para se fazer a guarita, comprando-se madres de barbuzano, tabuado de til e pregos, tendo o trabalho sido executado pelo mestre Mateus Rodrigues, ajudado por 4 pretos;
1654: representação da fortaleza nova na
Descrição de Bartolomeu João;
1724: descrição a partir desta data do movimento das peças no
Livro de Carga da Fortificação e das posses dos vários condestáveis;
1772: grande panorâmica do Funchal executada pelo pintor e gravador Thomas Hearne, com o perfil do forte de São Filipe;
1803, 9 out.: grave aluvião no Funchal e na restante ilha, danificando muito a fortaleza;
1804, out.: planta do Funchal do brigadeiro Reinaldo Oudinot documentando os estragos gerais feitos pela aluvião;
1817:
Descrição da ilha da Madeira por Paulo Dias de Almeida, onde se apresenta um projeto de ampliação para a fortaleza, que nunca seria feito;
1820: conjunto de desenhos feitos a partir dos de 1817, mas onde se não indica já o projeto de ampliação;
1839: planta da baía do Funchal e onde se volta a propor a ampliação da fortaleza, acompanhando o desenho de uma planta de pormenor;
1841:
Reconhecimento Militar da ilha da Madeira com as plantas das suas fortalezas, do capitão António Pedro de Azevedo, com planta e alçado da Fortaleza de São Filipe do Largo do pelourinho;
1851, 21 out.; decreto nomeando governador interino do forte João José de Sá Bettencourt, estando o forte ocupado por elementos do batalhão de veteranos do Funchal;
1855: planta das fortificações da ilha da Madeira de António Pedro de Azevedo, com a linha fortificada do Funchal e quase todas as fortalezas em planta ampliada, exceto a de São Filipe, sinal da sua insignificância à época;
1866: Planta do forte de São Filipe, também de António Pedro de Azevedo, com a indicação da ruína da parte nascente da fortificação;
1870 a 1880: primeiras fotografias conhecidas da fortaleza, já muito arruinada;
1898, 20 dez.: planta da esplanada e do forte de S. Filipe perto da data em que foi entregue à Câmara Municipal do Funchal;
1920 (c.): reforma das edificações da área e aproveitamento das estruturas do forte para o edifício da SOCARMA;
1978, Incêndio na edifício da SOCARMA;
1989, jun.; demolição do edifício da SOCARMA e projeto de reposição do Largo do Pelourinho, efetuado a partir dessa data;
1992, fev.: escavações pontuais de emergência na área do antigo forte de São Filipe, colocando a descoberto a ligação do antigo edifício da SOCARMA às estruturas do forte;
2010, 21 fev.: devastadora aluvião no Funchal afetando profundamente toda a baixa da cidade;
2013, abr.; aparecimento de estruturas do antigo forte, então com as obras de reformulação da frente mar e da foz da ribeira de Santa Luzia;
2015, jun.; remontagem do cunhal da muralha do forte sobre a ponte da Ribeira de Santa Luzia;
2018, abr.; concurso de empreitada para a criação da “Galeria de visita às ruínas do Forte de São Filipe” pela secretaria Regional do Turismo e Cultura no valor de 240 mil euros;
2019, 22 fev.: devastador incêndio na antiga fábrica da
Insular de Moinhos quando já estava equacionado o projeto
Savoy Residence Insular.
2021, dez.: autorização do Conselho de Governo para a realização da despesa inerente à empreitada de 3.000 000,00 euros sem IVA da obra do Forte de São Filipe.
2022, 28 abr.: adjudicação da obra pelo preço de 3.591.682,64 euros, com prazo de execução de 360 dias.
2023, 27 jun.: visita às obras de construção do Núcleo Museológico das ruínas do forte de São Filipe, localizado no Largo do Pelourinho por Miguel Albuquerque, PGR, anunciando-se a abertura do espaço para finais de agosto ou inícios de setembro desse ano (2023).