Image
Arquipelago de Origem:
Santa Cruz (Madeira)
Data da Peça:
1520-00-00
Data de Publicação:
Autor:
Oficina de Sevilha
Chegada ao Arquipélago:
2025-09-17
Proprietário da Peça:
Museu das Cruzes
Proprietário da Imagem:
ARM
Autor da Imagem:
ARM
Azulejos mudéjares do antigo convento de N.ª S.ª da Piedade de Santa Cruz, oficinas de Sevilha, 1520 (c.), Museu das Cruzes, Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Azulejos mudéjares recuperados nas escavações de emergência no antigo convento de N.ª S.ª da Piedade de Santa Cruz 
    Escavações arqueológicas de emergência da responsabilidade do Dr. António Aragão (1921-2008) de 1961.
    Fotografia do Arquivo Regional da Madeira.
    Pub. por Jorge Valdemar Guerra,“O convento de Nª. Sª. da Piedade de Santa Cruz, subsídios para a sua história”, in Islenha n.º 20, Funchal, DRAC, 1997, p. 130.
    Santa Cruz, ilha da Madeira.

    Os azulejos de proveniência andaluza usados entre nós nos séculos XV e XVI são conhecidos pelo termo genérico de «mudéjares» ou hispano-mourisco. Tal designação liga-se não só aos locais de origem desses mesmos azulejos, ou seja, as olarias castelhanas de inspiração islâmica, onde se fazia sentir a influência das produções cerâmicas da arte mudéjar, como também aos motivos ornamentais neles predominantes, como entrelaçados complexos e laçarias geométricas, normalmente em disposição radial ou estrelada, característicos daquela arte. Embora o termo em questão continue a ser o conceito operatório mais prático e correto, não deixa no entanto de se revelar de certo modo impreciso para designar de forma genérica uma produção cerâmica abundante e variada, que se estendeu por quase dois séculos. É necessário, portanto, ter em atenção que sob esta terminologia se englobam não só os exemplares diretamente influenciados pela arte mudéjar, como também os produtos de gosto híbrido, com motivos decorativos góticos ou ornamentação de estilo marcadamente renascentista.
    O convento de Nossa Senhora da Piedade de Santa Cruz foi levantado pela família Lomelino, a partir da vontade expressa no testamento de Urbano Lomelino (c. 1450-1518) , de 1518, tendo esta família ficado como padroeira do convento até à sua extinção. Mais tarde, durante a construção do aeroporto do Funchal, em 1961, sob direção do Dr. António Aragão Mendes Correia (1921-2008), foi a área do velho convento objeto de uma escavação arqueológica de emergência, a primeira ocorrida na ilha da Madeira, e os elementos arquitetónicos que foi possível recuperar, assim como mais alguns azulejos mudéjares, recolheram à casa solarenga dos antigos proprietários, então transformada no Museu da Quinta das Cruzes e dotada de parque arqueológico. Entretanto, criada a Casa da Cultura da hoje cidade de Santa Cruz, na antiga Quinta do Reboredo, em finais de 1997, recolheram os elementos arquitetónicos àquela casa, para remontagem nos seus jardins, na base dos acessos ao aeroporto, logo bem perto do seu local de origem. Cf. GUERRA, Jorge Valdemar, artigo in Islenha nº 20, Funchal, DRAC, jan.-jul. 1997, pp. 125-156 e "António Aragão e a Defesa do Património Insular" in Margem 2, n.º 28, direção de Teresa Brazão e coordenação de Nelson Veríssimo, Funchal, CMF, maio de 2011, pp. 7-19;
    Foi Jorge Lomelino (c. 1485-1548), filho de Urbano Lomelino, o responsável pela construção do convento da Piedade, que ficava onde se encontra hoje o aeroporto da Ilha, que estava concluído em 1527, embora ainda tivesse tido obras de ampliação em 1548, como refere o comerciante no seu testamento desse ano. Foi então sepultado na capela-mor sob laje de pedra de Hainaut, Bélgica, que mandara trazer da Flandres, mas que em 1852, quando da recuperação do convento pelos herdeiros, então o morgado Nuno de Freitas Lomelino (1820-1880), já a inscrição se encontrava apagada. Os primeiros elementos desta família na Madeira, Urbano (c. 1450-1518) e o irmão Batista Lomelino (c. 1451-c. 1520), que passaram à Madeira por 1476, já anos antes negociavam com açúcar da ilha da Madeira. Batista Lomelino, inclusivamente, desde agosto de 1473 que arrendara ainda com outros mercadores os direitos do senhorio da Ilha, então a infanta D. Beatriz (1429-1506) referentes à importação e exportação do trigo obrigatório para o abastecimento das embarcações na exploração do Golfo da Guiné. Urbano Lomelino, entretanto, optou pela aquisição de importantes propriedades na área de Santa Cruz, onde viviam os irmãos e aí, também engenhos de açúcar, tal como em Santana, no norte da Ilha, de terras para plantação de trigo. A 9 de julho de 1518, nas suas casas da vila de Santa Cruz, Urbano Lomelino exarou testamento determinando pormenorizadamente a constituição de um oratório para frades franciscanos, que teria a evocação de Nossa Senhora da Piedade e que foi depois levantado pelo seu sobrinho e herdeiro.