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Arquipelago de Origem:
Tanzânia
Data da Peça:
1950-00-00
Data de Publicação:
03/07/2025
Autor:
Escultor Makonde
Chegada ao Arquipélago:
2025-07-03
Proprietário da Peça:
Privado
Proprietário da Imagem:
Zemanek Münster
Autor da Imagem:
Zemanek Münster
Figura de antepassado Makonde transformada em relicário do leilão Zemanek-Münster de maio de 2020, trabalho de 1950 (c.), Tanzânia.

Categorias
    Descrição
    Figura de antepassado Makonde transformada em relicário
    Figura de antepassado feminino, Lisinamu (?)
    Small power figure; Tanzania, Makonde · ID: 3046922
    Madeira entalhada e patinada, com tecidos vários, 11,2 cm
    Escultor Makonde, 1950 (c.), Tanzânia.
    Fotografia de 23 de abril de 2020.
    Leilão Zemanek-Münster,  Voyage Tribal Art, 23 de maio de 2020, lote 265, vendida por 3.500 euros, Munique, Alemanha.

    Wood, plant fibre, base.
    Os Makondes são um povo da África oriental que habita 3 planaltos do norte de Moçambique, as margens do Rovuma e o sul da Tanzânia, na ordem de 1.260.000 indivíduos, mantendo ainda aspetos da sua religião animista  tradicional, embora a maior parte da população seja hoje cristã. Têm como atividades principais, a agricultura e, hoje, são essencialmente conhecidos pela sua escultura, onde se reflete visualmente muito da sua cultura, como a antiga utilização de batoque labiais, a mutilação dos dentes incisivos e as abundantes tatuagens, aspetos hoje já muito pouco usados. São um povo Bantu, provavelmente originário de uma zona a sul do lago Niassa, na fronteira entre Moçambique, Malawi e Tanzânia, apresentando semelhanças culturais com o povo Chewa, que ainda hoje habita aquela vasta zona, devendo ter pertencido, em tempos remotos, a uma grande federação Marave, que teria iniciado a sua migração para nordeste, ao longo do vale do rio Lugenda. Mantiveram-se muito isolados até tarde e só nos inícios do século XX é que os portugueses, que colonizavam Moçambique, conseguiram controlar as zonas por eles habitadas, dada a sua instalação em planaltos e florestas densas, tal como por terem ganho uma certa imagem de violentos e irascíveis, ajudando à criação dessa imagem o cortarem os dentes da frente para implantarem batoques labiais (lip plug), ou seja, o adorno nndoma ou ndonya, cobrindo o corpo com abundantes tatuagens relevadas e conseguindo, assim, manter uma forte coesão cultural. Nesse quadro, as missões católicas só se conseguem fixar nos seus territórios a partir dos anos 20 do passado século, tendo as conversões ao cristianismo começado apenas por volta de 1930.
    Cf. Jorge Dias (1907-1973) e Margot Dias (1908-2001), Os Macondes de Moçambique., 3 vols., Vol. I, Aspectos Históricos e Económicos (somente referenciado como de Jorge Dias); Vol. II, Cultura Material; e Vol. III, Vida Ritual e Social, Lisboa, Junta de Investigação Científica do Ultramar, Portugal.