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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1769-00-00
Data de Publicação:
26/06/2025
Autor:
Real Fábrica de Loiça
Chegada ao Arquipélago:
2025-06-26
Proprietário da Peça:
Museu Machado de Castro
Proprietário da Imagem:
Museu Machado de Castro
Autor da Imagem:
Museu Machado de Castro
Pequena terrina em forma de cabeça de javali da Real Fábrica de Louça ao Rato, Tomás Brunetto, 1769 a 1771 (c.), Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Pequena terrina em forma de cabeça de javali.
    Faiança policromada da Real Fábrica de Louça ao Rato, 17 x 32 x 38,7 cm.
    Direção e marca de Tomás Brunetto, 1769 a 1771 (c.)
    Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, Portugal

    As terrinas em forma de animal remetem para a tradição europeia medieval de adornar as mesas cerimoniais com o produto das caçadas e servir a carne dentro dessas cabeças. Em Inglaterra, por exemplo, era um hábito de Natal apresentar à mesa uma cabeça de javali que era servida numa travessa de prata enquanto se cantava uma música natalícia (“Boar’s Head Carol”). Outra origem possível para este tipo de peças pode ser as figuras de cera ou açúcar (alfenim) que decoravam as mesas renascentistas, ou ainda, as empadas servidas à mesa na forma do animal que continham – nomeadamente aves e peixes – e que posteriormente deram lugar a excêntricas terrinas em prata.
    A partir de meados do século XVII surgem as terrinas em faiança europeia modeladas e esmaltadas naturalisticamente, algumas inclusive em tamanho natural, bem como em forma de vegetais e frutas. As primeiras são provavelmente as produzidas na Alsácia, em Estrasburgo, entre 1748 e 1754, pela mão de Paul Hannong (ativo c.1732-c.1760), a que logo se seguiram as manufaturas de Höchst e Meissen na Alemanha, Chelsea, Longton Hall Bow ou Worcester em Inglaterra e, em Portugal, a Real Fábrica de Louça (ao Rato). Nessa sequência, igualmente são encomendadas peças semelhantes na China para o mercador europeu ditas "Companhia das Índias". Este tipo de peças criava uma colorida e atrativa cenografia; as formas representadas nem sempre correspondiam ao conteúdo, o que juntava a surpresa gustativa ao deleite visual, numa celebração dos sentidos muito ao gosto do Rococó (texto adaptado da Fundação Medeiros e Almeida). Existe exemplar semelhante no Museu da Cidade de Lisboa (MC.CER.0368.01), Portugal.