Levada do Caldeirão Verde ou Levada da Serra de São Jorge, 1945 (c.) e seguintes, José Lemos Silva, 2020, Santana, ilha da Madeira.
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Descrição
Levada do Caldeirão Verde ou Levada da Serra de São Jorge.
Reforma da Junta Geral de 1945 (c.) e seguintes.
Fotografia de José Lemos Silva, 2020.
Serra de São Jorge, Santana, ilha da Madeira.
Levada da Serra de São Jorge ou do Caldeirão Verde ou das Queimadas
Antigamente: Madre, Pé dos Poios, Caldeirão do Inferno (970 mts); Fim, Cova da Roda (600 mts), 15,8 Km
Atualmente: Madre, Levada do Caldeirão do Inferno, proximidades do Túnel do Pico Ruivo (925mts); Fim, Cova da Roda (600 mts), 14,3 km
A construção da Levada da Serra de São Jorge ou do Caldeirão Verde, iniciada em 1877, está aliada à necessidade de irrigação de terrenos bem distantes do alcance desta mesma levada, concluindo-se assim, a história do aproveitamento dos abundantes ribeiros e córregos das encostas Norte do Pico Ruivo, Serras do Faial e São Jorge.
Em 1830, surgia a Sociedade da Nova Levada do Furado pretendendo levar os mananciais da Ribeira das Lajes até ao Pico do Infante no Funchal, irrigando pelo caminho as freguesias do Caniço, São Gonçalo e Santa Maria. Esta sociedade seria infrutífera, dados os erros de nivelamento, insuficiente caudal, permeabilidade do terreno e incapacidade financeira para o necessário revestimento da levada, que levariam ao insucesso das suas pretensões e os muitos terrenos nas referidas freguesias ficariam aguardando por uma fiel provisão de água.
A muito esperada resolução deste problema, sob a alçada do Estado, seria a construção da Levada da Serra do Faial. Além do indispensável revestimento do aqueduto e correção do traçado, seria aumentado o seu caudal através do prolongamento da levada para montante, colhendo os mananciais da Ribeira da Metade e Ribeira Seca. No entanto, estas águas já eram exploradas pela antiga Levada da Fajã dos Vinháticos, que as destinava às freguesias do Faial e Santana. Para compensar a perda destes mananciais seria criada uma nova levada, com origem no vale da Ribeira Grande ou de São Jorge, destinada à irrigação das freguesias de Santana e Faial. A levada de compensação seria a Levada da Serra de São Jorge.
Os estudos para estas levadas iniciaram-se em 1864, concluídos e submetidos para aprovação em 1875, seriam aprovados em 1877. Os trabalhos começariam nesse mesmo ano, porém dificuldades económicas atrasariam a sua conclusão e só através de um parecer do Conselho Superior de Obras Públicas, seriam executados sob a orientação do engenheiro Aníbal Augusto Trigo (1865-1944), os trabalhos necessários para a conclusão da obra. Na Direção das Obras Públicas estava o seu irmão, o engenheiro Adriano Augusto Trigo (1862-1926), ambos profundos conhecedores das Levadas da Madeira, que inaugurariam a Levada da Serra de São Jorge em 1904, um ano antes da Levada da Serra do Faial. Em 1938, foi criado o ramal de derivação para a freguesia da Ilha através do Vale da Lapa.
A Madre original da Levada da Serra de São Jorge situava-se no sítio do Pé dos Poios, Caldeirão do Inferno, cerca de 80 metros abaixo da atual Madre da Levada do Caldeirão do Inferno. O troço inicial da Levada da Serra de São Jorge, foi reformulado no início da década de 70 de modo a conduzir a água do Caldeirão do Inferno, Ribeira de São Jorge, Córrego do Abafado e da Urze para a Ribeira Seca, através de um grande túnel, contribuindo para o aproveitamento hidroelétrico da Central da Fajã da Nogueira. Ao novo troço foi atribuído a designação de Levada do Caldeirão do Inferno.
Levada da Serra de S. Jorge ou levada do Caldeirão Verde (…) «Começaram os trabalhos nos lanços das Serras do Fayal e S. Jorge no dia 20 de julho de 1903 e proseguiram, quasi que sem interrupção sempre com a maior actividade e enthusiasmo até ao dia 23 de setembro de 1905, em que ficaram inteiramente concluidas [...] Em 28 de agosto de 1904, achando-se concluidas as obras da levada de S. Jorge, teve logar a inauguração da saída das agoas, que a partir d'essa data começaram a regar nas freguezias do Fayal e Sant'Anna em substituição das da Levada da Fajã dos Vinhaticos, que deviam em seguida cortar-se na origem para serem conduzidas para as freguesias do sul, o que de facto teve logar no anno immediato.» (…)
In TRIGO, A. A. (1911), «Plano Geral de Distribuição e Arrendamento das águas de Levada do Fayal para Irrigação das Freguesias do Caniço, S. Gonçalo e Santa Maria Maior (Ilha da Madeira)», Lisboa (tran. de José Lemos Silva).