Garrafa de peregrino com esfera armilar provavelmente encomendada por D. João III, China, 1540 a 1550 (c.), coleção privada europeia.
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Descrição
Garrafa de peregrino com esfera armilar.
Provável encomenda de D. João III (1502-1557)
Porcelana chinesa com decoração azul cobalto sob o vidrado, 24,3 cm.
Dinastia Ming (1368-1644), período Jiajing (1521-1567), 1540 a 1550 (c.).
Fornos de Jingdezhen, província Jiangxi, China.
Sotheby's de Londres, leilão de 11 maio 2011, Fine Chinese Ceramics & Works of Art, lote 59, Londres, Inglaterra.
Garrafa de que existem similares, vendidas na a 18 nov. 1998, lote 1960, a 11 maio 2011 (esta), lote 59 e a 9 nov. 2011, lote 153, tal como no Museu Nacional da Indonésia, em Jacarta e na coleção Jorge Welsh, Londres, Inglaterra, pub. In Global by Design: Chinese Ceramics from the R. Albuquerque Collection, catálogo de exposição no Metropolitan Museum of Art, Jorge Welsh Research & Publishing, abril de 2016, Inglaterra, nº 14, p. 92/93.
Sobre estes exemplares vendidos a 11 maio e 9 nov. 2011 escreveu Alain R. Truong, no blogue A blue and white bottle vase and a dish for the Portuguese market, Ming dynasty, Jiajing period, circa 1540-1550, 23 abr. 2018:
O corpo globular subindo de um pé aberto até um pescoço longo afinando para uma boca em forma de alho, decorada em azul-cobalto sob o vidrado com quatro esferas armilares abaixo de uma faixa de lapelas de lótus, o pescoço com ramos florais saindo de rochas, a boca de alho com uma faixa de chamas, o pé contornado por outra faixa de lapelas de lótus, a base inscrita com uma marca apócrifa de quatro caracteres Xuande (1425-1435).
Nota: Para um vaso muito semelhante vendido nestas salas, ver 11 de maio de 2011, lote 59, e para um jarro com motivo de esfera armilar semelhante, com marca do reinado Zhengde raríssima e da época, também vendido nestas salas, ver 18 de novembro de 1998, lote 1060; e uma tigela ilustrada em Regina Krahl, Chinese Ceramics in the Topkapi Saray Museum, vol. II, Londres, 1986, p. 812, que é datado de 1541. São conhecidos outros gomis, com bico em cabeça de dragão e cabo terminando em cauda de peixe, decoradas com o emblema da esfera armilar; como o da Fundação Medeiros e Almeida, Lisboa, incluída na exposição Do Tejo aos Mares da China. Uma Epopeia Portuguesa, Palácio Nacional de Queluz, Queluz, 1992, cat. n. 21; e outro na coleção de José Cortez, incluído na exposição Caminhos da Porcelana, Fundação Oriente, Lisboa, 1998, cat. nº 1. Embora tanto os jarros como este vaso tenham nas suas bases uma falsa marca Xuande “nianzao” de quatro caracteres, segundo Jean-Paul Desroches e Maria Antónia Pinto de Matos em Os Portugueses, Descobridores da China, Orientações, abr. 1992, p. 79, o envasamento pesado e o esmalte luminoso são típicos da porcelana do período Zhengde.
O medalhão circular com uma esfera armilar e uma inscrição onde se lê “In Deo Spero” (Em Deus confio) é o emblema de D. Manuel I de Portugal (1469-1521) que lhe foi concedido pelo seu cunhado e antecessor, D. João II (1455-1495). A esfera armilar era o emblema pessoal de D. Manuel I e representava o seu poder temporal sobre o império em expansão e que passou ao seu filho D. João III.