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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1910-02-10
Data de Publicação:
03/12/2023
Autor:
Joshua Benoliel
Chegada ao Arquipélago:
2023-12-03
Proprietário da Peça:
O Occidente/CMLisbia
Proprietário da Imagem:
Hemeroteca Digital de Lisboa
Autor da Imagem:
Joshua Benoliel/HDL
Dona Amélia e D. Manuel II nas exéquias por alma de El-Rei D. Carlos e Príncipe D. Luís Filipe, revista O Ocidente, Lisboa, 10 de fevereiro de 1910, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Dona Amélia e D. Manuel II nas exéquias por alma de El-Rei D. Carlos e Príncipe D. Luís Filipe.
    (1865-1951), (1889-1932), (1863-1908) e (1887-1908)
    Fotografia de Joshua Benoliel (1873-1932)
    O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.º 1120, Lisboa, 10 de fevereiro de 1910, p. 1.
    Hemeroteca Digital de Lisboa, Portugal.

    Maria Amélia de Orleães (Twickenham, Inglaterra, 28 set. 1865; Versalhes, 25 out. 1951) era filha de Luís Filipe Alberto (1838-1894), conde de Paris e duque de Orleães e de Maria Isabel Francisca de Assis (1848-1919), infanta de Espanha, tendo casado em 21 de junho de 1886 com o príncipe D. Carlos de Bragança (1863-1908) e, pouco tempo antes, entrado em Portugal pela estação de Pampilhosa, proveniente de Saragoça. De elevada cultura (e estatura), desenhando e pintando, tal como D. Carlos, com uma certa desenvoltura para a época, veio a desenvolver um importante papel na corte portuguesa, a ela se devendo a fundação do Museu dos Coches e do Jardim Zoológico de Lisboa. Nos últimos anos, especialmente com o assassinato de D. Carlos e D. Luís Filipe (1887-1908), onde teve papel fundamental na defesa da vida do filho mais novo, depois D. Manuel II (1889-1932), veio a fechar-se num certo religiosismo dramático e num protecionismo maternal que não facilitaram a manutenção no trono do seu filho D. Manuel. À semelhança de seu filho, o rei Dom Manuel II , exilou-se em Londres, onde esteve até 1913 e, quando D. Manuel II se casou, mudou-se para o Château de Bellevue, perto de Versalhes, em França, que adquirira em 1920 e onde se instala, em 1922, tendo depois como secretário o capitão Júlio da Costa Pinto (1883-1969), ali falecendo a 25 de outubro de 1951. Tendo já visitado Portugal em meados de 1945, o seu corpo foi recebido em Lisboa a 29 de novembro de 1951, recebendo uma salva de 21 tiros, como chefe de estado e sento sepultada no panteão dos Bragança, em São Vicente de Fora, junto do marido e dos filhos.
    D. Manuel II (Lisboa, 1889; Twickenham, Inglaterra, 2 jul. 1932). Filho de D. Carlos de Bragança (1863-1908) e de D. Amélia de Orleães (1865-1951), nasceu no Palácio de Belém e viu-se elevado ao trono de Portugal após o assassinato de seu pai e do seu irmão mais velho. Muito novo e não especialmente preparado para o lugar, pela sua correspondência teria feito o melhor possível, numa conjuntura totalmente desfavorável, não conseguindo suster a revolução republicana que o levou a fugir de Portugal a 5 de Outubro de 1910. Veio a casar com a princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen (1890-1966), em 4 set. 1913, mas de cujo casamento não houve descendência. Bibliófilo apaixonado, reuniu uma importante biblioteca portuguesa, especialmente rica em exemplares dos séculos XV e XVI, que depois, com muitos dos seus bens, legou a Portugal. A sua biblioteca foi integrada no palácio ducal de Vila Viçosa, tendo os seus bens pessoais constituído a Fundação D. Manuel II, em cuja presidência se encontra o atual duque de Bragança, D. Duarte Pius. Faleceu a 2 de julho de 1932 de angina diftérica fulminante, na propriedade inglesa onde nascera a sua mãe, sendo voz corrente que poderia ter sido igualmente assassinado, como o pai e o irmão, como sempre sustentou a rainha D. Amélia. O corpo do rei D. Manuel II foi transferido de sua casa no exílio, Fulwell Park, Twickenham, para a igreja de São Carlos, em Weybridge, onde permaneceu na cripta até ao funeral, que teve lugar na catedral de Westminster com a presença dos inúmeros amigos portugueses, reis e representantes das casas reais europeias, membros do governo britânico, embaixadores de Portugal, Brasil e França, Afonso XIII (1886-1941), ex-rei de Espanha, também no exílio e o Duque de Gloucester, Henrique de Inglaterra (1900-1974), em representação do pai, Jorge V (1865-1936). Os seus restos mortais chegaram depois a Lisboa no cruzador britânico Concord, a 2 de agosto seguinte, tendo tido funerais nacionais e ficando depositado no panteão da Casa de Bragança, em São Vicente de Fora.