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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1913-00-00
Data de Publicação:
06/11/2023
Autor:
Oficinas do Instituto Superior Técnico
Chegada ao Arquipélago:
2023-11-06
Proprietário da Peça:
Universidade de Coimbra
Proprietário da Imagem:
Universidade de Coimbra
Autor da Imagem:
Universidade de Coimbra
Réplica de astrolábio tipo Bensaúde, Lisboa, 1913, Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, Portugal

Categorias
    Descrição
    Réplica de astrolábio tipo Bensaúde
    Madeira de tola e latão, 50 cm (diâmetro)
    Oficinas do Instituto Superior Técnico de Lisboa, 1913.
    Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (I 243), Portugal
    Pub. in Os Portugueses no Golfo, 1507–1650, uma história interligada, The Portuguese in the Gulf, 1507–1650, an interlinked history, catálogo de exposição na Feira do Livro do Emirado de Sharjah, Emirados Árabes Unidos, 1–12 novembro 2023, com coordenação científica de José Pedro Paiva e Roger Lee de Jesus, apresentação/introdução de Ahmed Bin Rakkad Al Ameri, presidente da Sharjah Book Authority, Centro de História de Sociedade e Cultura da Universidade de Coimbra, Imprensa da Universidade, março de 2023, nº 7-2, pp. 30 e 31.

    O quadrante e o astrolábio são instrumentos muito antigos usados para medir a altitude de um astro como uma estrela acima do horizonte. Têm que ser suspensos para se manterem imóveis na vertical durante a observação. Foram usados como instrumentos náuticos nas navegações dos portugueses juntamente com o prumo, a ampulheta, a bússola, a balestilha e outros que lhes sucederam.
    O astrolábio é um modelo do universo que cabe nas mãos humanas. Um modelo da esfera celeste a duas dimensões, obtido por uma projeção matemática chamada estereográfica. O plano da projeção é o equador celeste. O astrolábio tinha muitos usos em astronomia como observar os astros, conhecer a posição das estrelas no céu, medir o tempo, fazer astrologia e resolver problemas geométricos, como calcular a profundidade de um poço ou a altura de um edifício. Era um instrumento usado pelos cosmógrafos da antiguidade e designa-se por astrolábio planisférico.
    O astrolábio náutico resulta da simplificação do astrolábio planisférico. Mede a altura do Sol ou de uma estrela acima do horizonte e é usado com tabelas astronómicas para encontrar a latitude do observador. Também mede a distância zenital, distância do Sol ao zénite, que designa o ponto mais elevado da esfera celeste. Foi desenvolvido pelos navegadores portugueses no Oceano Atlântico para explorar a costa africana desde o final do século XV.
    Os primeiros astrolábios náuticos de disco tinham a configuração da parte posterior dos astrolábios planisféricos. Com a prática deixaram de ser fabricados em chapa e foi usada uma liga de cobre, mais robusta, com aberturas no disco para minimizar o efeito do vento. O astrolábio náutico português tem os zero graus na vertical, ou seja, no zénite, e os noventa graus no horizonte. Esta solução permite obter uma leitura direta da distância zenital ao meio-dia solar, com o sol na altura máxima. Este valor facilitava o cálculo da latitude com os dados das tabelas náuticas. Os astrolábios náuticos de outras nações mantiveram o zero no horizonte.
    As tabelas náuticas ou de declinação do Sol existem desde o século XV. A obra mais antiga com as regras do cálculo da latitude pela Sol foi elaborada pelos matemáticos portugueses do rei D. João II e designa-se por “Regimento de Munich”. É um livro muito raro do início da imprensa, um incunábulo, preservado na Biblioteca de Munique, na Alemanha que ainda usava o astrolábio náutico com o zero no horizonte. No século XVII o astrolábio começou a perder a sua popularidade. Os portugueses e os espanhóis usaram o astrolábio náutico até ao século XVIII mas no Norte da Europa, como nos Países Baixos, deixou de ser usado a partir de 1675.
    O astrolábio “Bensaúde” é um modelo com valor histórico e didático, do “astrolábio náutico dos descobridores portugueses”. Tem 50 cm de diâmetro e foi construído em madeira de tola e latão, em 1913 nas oficinas do Instituto Superior Técnico de Lisboa, mandado executar pelo seu diretor Alfredo Bensaúde (1856-1941). Outras réplicas didáticas foram feitas, como é o caso do astrolábio da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra aqui presente. É constituído por uma roda dividida em quatro quadrantes vazados. Na face frontal tem a escala gravada, de zero a noventa graus, no limbo de dois quadrantes opostos. Os zero graus estão no diâmetro vertical. No centro gira um ponteiro, uma alidade com duas pínulas, designada por medeclina. A pínula alta tem um orifício atravessado pelo luz e a pínula baixa um ponto onde se projeta o Sol. Possui um fio de prumo para o alinhamento vertical.
    A sua simplicidade permitia a construção de astrolábios de grandes dimensões que recolhiam medidas precisas em terra. É semelhante a um dos astrolábios usado na primeira viagem de Vasco da Gama (1469-1524) à Índia (1497), numa ida a terra, em Santa Helena, onde foi suspenso numa cábrea para determinar a latitude, evitando a oscilação da embarcação (descrição de um dos primeiros historiadores portugueses, João de Barros (c. 1496-1570) em “Décadas da Ásia”, 1522). [Pedro J. E. Casaleiro]