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Arquipelago de Origem:
Coimbra
Data da Peça:
1700-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
06/11/2023
Autor:
Oficina portuguesa
Chegada ao Arquipélago:
2023-11-06
Proprietário da Peça:
Universidade de Coimbra
Proprietário da Imagem:
Universidade de Coimbra
Autor da Imagem:
Universidade de Coimbra
Astrolábio náutico “Coimbra”, 1700 (c.), Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, Portugal

Categorias
    Descrição
    Astrolábio náutico “Coimbra
    Latão e vidro, 50,8 cm (diâmetro) e 10 kg de peso
    Finais do século XVII-XVII, 1700 (c.)
    Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (I-002), Coimbra, Portugal.
    Pub. in Os Portugueses no Golfo, 1507–1650, uma história interligada, The Portuguese in the Gulf, 1507–1650, an interlinked history, catálogo de exposição na Feira do Livro do Emirado de Sharjah, Emirados Árabes Unidos, 1–12 novembro 2023, com coordenação científica de José Pedro Paiva e Roger Lee de Jesus, apresentação/introdução de Ahmed Bin Rakkad Al Ameri, presidente da Sharjah Book Authority, Centro de História de Sociedade e Cultura da Universidade de Coimbra, Imprensa da Universidade, março de 2023, nº 8, pp. 32 a 35.

    O quadrante e o astrolábio são instrumentos muito antigos usados para medir a altitude de um astro como uma estrela acima do horizonte. Têm que ser suspensos para se manterem imóveis na vertical durante a observação. Foram usados como instrumentos náuticos nas navegações dos portugueses juntamente com o prumo, a ampulheta, a bússola, a balestilha e outros que lhes sucederam.
    O astrolábio é um modelo do universo que cabe nas mãos humanas. Um modelo da esfera celeste a duas dimensões, obtido por uma projeção matemática chamada estereográfica. O plano da projeção é o equador celeste. O astrolábio tinha muitos usos em astronomia como observar os astros, conhecer a posição das estrelas no céu, medir o tempo, fazer astrologia e resolver problemas geométricos, como calcular a profundidade de um poço ou a altura de um edifício. Era um instrumento usado pelos cosmógrafos da antiguidade e designa-se por astrolábio planisférico.
    O astrolábio náutico resulta da simplificação do astrolábio planisférico. Mede a altura do Sol ou de uma estrela acima do horizonte e é usado com tabelas astronómicas para encontrar a latitude do observador. Também mede a distância zenital, distância do Sol ao zénite, que designa o ponto mais elevado da esfera celeste. Foi desenvolvido pelos navegadores portugueses no Oceano Atlântico para explorar a costa africana desde o final do século XV.
    Os primeiros astrolábios náuticos de disco tinham a configuração da parte posterior dos astrolábios planisféricos. Com a prática deixaram de ser fabricados em chapa e foi usada uma liga de cobre, mais robusta, com aberturas no disco para minimizar o efeito do vento. O astrolábio náutico português tem os zero graus na vertical, ou seja, no zénite, e os noventa graus no horizonte. Esta solução permite obter uma leitura direta da distância zenital ao meio-dia solar, com o sol na altura máxima. Este valor facilitava o cálculo da latitude com os dados das tabelas náuticas. Os astrolábios náuticos de outras nações mantiveram o zero no horizonte.
    As tabelas náuticas ou de declinação do Sol existem desde o século XV. A obra mais antiga com as regras do cálculo da latitude pela Sol foi elaborada pelos matemáticos portugueses do rei D. João II e designa-se por “Regimento de Munich”. É um livro muito raro do início da imprensa, um incunábulo, preservado na Biblioteca de Munique, na Alemanha que ainda usava o astrolábio náutico com o zero no horizonte. No século XVII o astrolábio começou a perder a sua popularidade. Os portugueses e os espanhóis usaram o astrolábio náutico até ao século XVIII mas no Norte da Europa, como nos Países Baixos, deixou de ser usado a partir de 1675.
    O astrolábio “Coimbra é um astrolábio náutico português de grandes dimensões, idêntico ao Bensaúde, mas construído em latão (liga com 65% Cobre e 33% Zinco, conforme dados obtidos por fluorescência de raios-X para confirmar a liga metálica do astrolábio, por Francisco Gil da FCTUC) com 51 cm de diâmetro e 10 kg de peso. Não apresenta marca do fabricante e a proveniência é desconhecida. O astrolábio náutico corrente tinha 17 a 25 cm de diâmetro e pesava 2 a 3 kg. Para medir a altura do Sol (a distância zenital), ou “pesar o Sol”, era pendurado ao nível da cintura do observador que ajustava a medeclina de modo à luz atravessar as duas pínulas e projetar-se no convés da embarcação. Na medeclina, a pínula alta tem um orifício de 1 cm com uma lente (convergente biconvexa). A pínula baixa tem um orifício no centro de um círculo onde se projeta o Sol. A presença da lente levou o curador do Museu de Greenwich em Londres, David Waters, em 1966, a situar a construção do astrolábio após 1675. Nesta data o astrónomo real britânico, John Flamsteed (1646-1719), inseriu uma lente na palheta de um instrumento idêntico à balestilha, o quadrante de dois arcos. 1810 é a data limite para a produção, quando o astrolábio é inscrito no primeiro catálogo do Observatório. A face anterior, tem graduação de zero a noventa graus no limbo do primeiro e terceiro quadrantes, os zeros estão no diâmetro vertical o que comprova ser um astrolábio português. O limbo apresenta subdivisões de quinze círculos concêntricos com leitura até aos quatro minutos. A face posterior tem graduações transversais incompletas. São referência ao “anel náutico” descrito pelo notável matemático e cosmógrafo real Pedro Nunes (1502–1578). Tem doze círculos concêntricos que permitem ler frações até cinco minutos de arco. A leitura era feita por uma medeclina angular descentrada (não encontrada), inserida no orifício abaixo da argola de suspensão. Os astrolábios de medeclina angular tiveram pouco sucesso pois eram de operação mais difícil. [Pedro J. E. Casaleiro]