António Spínola, O General que vai livrar os putos da guerra, cartoon de João Abel Manta para o Diário de Lisboa, Lisboa, 12 de maio de 1974, Portugal.
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O General que vai livrar os putos da guerra.
António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz, 11 abr. 1910; Lisboa, 13 ago. 1996)
Cartoon de João Abel Manta (1928-2026) para o Diário de Lisboa, n.º 8455, ano 54º, diretor A. Ruella Ramos (1937-2011), Lisboa, 12 de maio de 1974, Portugal.
António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz, 11 abr. 1910; Lisboa, 13 ago. 1996). Aluno do Colégio Militar, seguiu a carreira militar até aos mais altos postos, sendo governador da Guiné em 1968 e, novamente, em 1972, onde desenvolve intensa atividade militar e diplomática, contactando com diversos líderes africanos, como Leopoldo Sedar Senghor (1906-2001). Regressa a Lisboa em nov. 1973, altura em que Marcello Caetano (1906-1980) o convida para a pasta do Ultramar, que não aceita, sendo nomeado vice CEMGFA por proposta de Francisco da Costa Gomes (1914-2001), a 17 jan. 1974, publicando Portugal e o Futuro, na Arcádia, por sugestão da diretora Natália Correia (1923-1993), livro que sai a 22 fev. 1974 e se torna um êxito, dado apontar para uma solução política negociada para o Ultramar e para as Guerras Coloniais. Seria chamado pelo Movimento das Forças Armadas para, a 25 Abr. 1974, receber a rendição de Marcello Caetano e, nessa noite, para integrar a Junta de Salvação Nacional, cujo programa tenta ainda alterar. Seria designado para o cargo de presidente da República a 15 maio 1974, renunciando ao mesmo a 30 set., dado o fracasso da manifestação da Maioria Silenciosa, convocada a 28 set. Conspirando, veio a ser envolvido, ou a envolver-se no 11 mar. 1975, altura em que foge para Espanha e, daí, para o Brasil. Regressaria depois a Portugal e ainda seria condecorado e nomeado chanceler das Ordens Militares, a 5 fev. 1987, por Mário Soares (1924-2017).
João Abel Manta (n. 1928-2026). Filho dos pintores Abel Manta (1888-1982) e Clementina Carneiro de Moura (1898-1992), diplomou-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1951, mas atividade que foi progressivamente abandonando ao longo da década de 60. Desenvolveu, entretanto, intensa atividade na arquitetura, mas também como pintor, cenografista e artista gráfico (cartaz, filatelia, ilustração e "design" de livros, jornais e revistas). Na área da sua formação académica foi o responsável, com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, pelo projeto dos blocos habitacionais da Avenida Infante Santo, referente de qualidade na arquitetura da cidade, com o qual ganhou o Prémio Municipal de Arquitectura (1957), recebeu ainda o Prémio Nacional da Sociedade Nacional de Belas Artes (1949), o Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian (1961) e a Medalha de Prata na Exposição Internacional de Artes Gráficas, em Leipsig (1965). A sua pintura, numa primeira fase neofigurativa e eivada de ironia surrealista, tomou depois uma feição de carácter abstrato. Foi o autor das tapeçarias do Salão Nobre da sede da Fundação Calouste Gulbenkian. No cartoon, utilizando-o como forma privilegiada de retrato da sociedade, evidenciou-se de forma ímpar, sendo os anos de 1974 e 1975, dos mais fecundos da sua produção, publicando o álbum Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978), síntese de vincada e sofisticada ironia onde o lápis do artista traça um quadro negro, mas preciso, daquele período da nossa história. É considerado, por muitos críticos, o melhor "cartoonista" português da segunda metade do século XX, na senda de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), Stuart Carvalhais (1887-1961) e Leal da Câmara (1876-1948), tendo publicado três livros em Portugal e um na Alemanha. Obteve vários prémios nacionais e estrangeiros, como em 1961, o Prémio de Desenho na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian; 1965, Medalha de Prata na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig; e 1975, Prémio de Ilustração na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, entre outros. No contexto da arte pública interveio nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz. No campo da azulejaria concebeu em Lisboa os painéis: do restaurante do Hotel da Avenida Infante Santo (1952), da Escola Primária do Alto dos Moinhos (1955) e do revestimento do monumental mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1982 (concebido em 1970). Foi ainda autor da série de painéis cerâmicos para o Teatro Gil Vicente, em Coimbra (1955), dos azulejos para os edifícios da Associação Académica de Coimbra (1959), bem como de uma composição geométrica para a Caixa Geral de Depósitos, em Mafra (1972). Para além de ter participado em várias exposições coletivas, de Lisboa a Tóquio, expôs individualmente em 1971 (Pintura, Galeria Interior), 1975 (Pintura e Desenho, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa), 1976 (Desenho, Institut of Contemporany Arts, Londres) e 1992 (Obra Gráfica, Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa).