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Arquipelago de Origem:
Funchal
Data da Peça:
2019-00-00
Data de Publicação:
23/04/2020
Autor:
Natural
Chegada ao Arquipélago:
2020-04-23
Proprietário da Peça:
Raimundo Quintal
Proprietário da Imagem:
Raimundo Quintal
Autor da Imagem:
João Santos
Orquídea Angraecum sesquipedale de Madagáscar, 2019, Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Orquídea Angraecum sesquipedale de Madagáscar.
    Fotografia de João Santos, 2019.
    Orquidário do professor Raimundo Quintal Funchal, ilha da Madeira.

    As Angraecum sesquipedale são orquídeas endémicas de Madagáscar. Crescem a baixas altitudes, agarradas a árvores de grande porte ou rochedos na costa Este da ilha. A planta tem crescimento monopodial e as folhas grossas, dobradas longitudinalmente e dispostas em forma de leque. Da base das folhas emergem as hastes florais com uma a três flores grandes, em forma de estrela. Quando abrem são brancas com uma sombra esverdeada. À medida que vão amadurecendo vão ficando com um atrativo branco cremoso. A flor pode atingir os 16 cm e o famoso nectário tem um comprimento entre os 30 e os 35 cm.
    Em 1862, Charles Darwin (1809-1882) recebeu uma caixa de plantas de um horticultor e colecionador de plantas exóticas, James Bateman, e nessa caixa encontrava-se um exemplar da flor de uma extraordinária orquídea – o Angraecum sesquipedale. Numa carta a um amigo, Darwin escreveu “I have just received such a box from Mr. Bateman with the astounding Angraecum sesquipedalia [sic] with a nectary a foot long. Good Heavens what insect can suck it” (traduzindo, seria algo como “Acabei de receber uma caixa do Sr. Bateman com o espantoso Angraecum sesquipedalia com um nectário com um pé de comprimento – aproximadamente 30 cm. Sabe Deus que inseto conseguirá sugá-lo.”). Poucos dias após a primeira carta, Darwin volta a escrever ao amigo onde diz que “em Madagáscar deverão existir traças com um probóscide suficiente para se alongar entre 10 e 11 polegadas (25,4 a 27,9 cm)”.
    Esta previsão de um inseto, uma traça, ficou famosa nos meios científicos da época, aceite por uns e ridicularizada por muitos pois não era conhecido nenhum animal do tipo em Madagáscar. Em 1907, cerca de 20 anos após a morte de Darwin, foi descoberta uma borboleta noturna em Madagáscar, com 16 cm de tamanho, da ponta de uma asa à outra e com um probóscide enrolado, mas podendo atingir mais de 20 cm de comprimento quando distendido. Mas uma coisa era haver a hipótese de haver um animal capaz de se alimentar do néctar escondido do fundo do nectário da flor do Angraecum sesquipedale e outra coisa seria prová-lo.
    A prova documental desse facto só foi possível em 1992, quando se conseguiu filmar e fotografar a traça a sugar o néctar do longo nectário do Angraecum sesquipedale. A previsão de Darwin de que teria havido uma evolução conjunta, ou uma coevolução, da flor desta orquídea e da borboleta de modo a que ambas beneficiassem desse facto, a traça ao alimentar-se do néctar e a orquídea ao ser polinizada, ficou imortalizada no nome do inseto, Xanthopan morganii praedictae, uma subespécie da Traça Falcão Gigante do Congo. A palavra praedictae está evidentemente relacionada com a previsão de Darwin.
    Em 2009, o mundo celebrou o bicentenário do nascimento de Darwin com inúmeras exposições e colóquios. Na Gulbenkian os portugueses puderam assistir a uma magnífica exposição sobre Darwin. Nesse ano, estive na exposição de orquídeas de Londres onde também era contada num mural a história da previsão de Darwin. E que melhor data para eu comprar o meu exemplar dessa orquídea com tanta história? É claro que trouxe para a minha coleção um pequeno exemplar (Raimundo Quintal)