Planta da Costa de Arguim, cópia alemã de Bellin, 1760 (c.), Mauritânia
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Descrição
Abriss der Bay und des Eylandes Arguim.
Arguim, Mauritânia.
Gravura aguarelada alemã a partir de Jacques Nicolas Bellin (1703-1776).
Coleção particular, Paris.
O pequeno castelo de Arguim, na costa do Norte de África, foi a primeira feitoria portuguesa, ativa pelos anos de 1440 a 1445 e, fortificada depois, por determinação ainda do infante D. Henrique, embora só feita em 1461 e dotada de governador, o seu construtor, Soeiro Mendes de Évora, por carta régia de 26 Jul. 1464. O castelo deixou de ser português desde 1638, altura em que foi conquistado pelos holandeses. Em 1783 passou esta área para o domínio da França, que já a ocupara nos inícios do século XVIII. Na Furna de Arguim, como era chamada esta baía de recifes, ficava a ilha dos Coiros, principal centro de comércio de peles de toda a costa, e, para o sul, as ilhas das Garças, Naar e Tider. Serviram estas ilhas, com mar bonançoso, para abrigo e repouso das naus. Por ali passaram madeirenses, como os da caravela enviada por Zarco até ao Cabo dos Matos; Garcia Homem de Sousa, genro do primeiro capitão do Funchal; Diogo Afonso, Denis Eanes da Grã e João do Porto, que tiveram assento na Madeira; etc. Dentro da fortaleza de Arguim havia uma capela sujeita à jurisdição eclesiástica do Funchal. Depois do desastre da vila de Santa Cruz de Cabo de Gué, em 1541, em que pereceram ou ficaram prisioneiros muitos madeirenses, autorizou o papa Paulo III, como lhe foi requerido pelo Rei, a «demolir as igrejas dos lugares de África que Sua Alteza pretende desamparar por causa das dificuldades da defesa e do aumento do poder dos inimigos». Mas tal não se deve ter dado com a ilha de Arguim, pois o bispo do Funchal, D. Luís Figueiredo de Lemos, teve a doação de Arguim, do seu castelo e das pescas na costa de Atouguia e, em 1597, nas Constituições Sinodais, refere que «dispondo os casos da sua jurisdição... nela pôs um Ouvidor Eclesiástico». Aliás, antes de ser meio-cónego da Sé, o cronista Jerónimo Dias Leite foi vigário de Arguim e, por 1601, a partir da Madeira, foi visitada e descrita pelo viajante Jean Mocquet. Esta fortaleza, nos inícios do século XVII, ainda teve obras, a cargo de Leonardo Turriano, mas que não sabemos se passaram do projeto.